Eleição em Israel

Netanyahu aposta em guerra com Irã para sobreviver politicamente

Em disputa pelo Parlamento, oposição acusa Benjamin Netanyahu de pressionar o Exército por uma operação contra Teerã às vésperas da votação de hoje. Emissora de TV expõe confronto "sem precedentes" entre o premiê e o comando militar

Na véspera da votação para o Parlamento, cartaz mostra o premiê Netanyahu com Donald Trump: aliança contra a República Islâmica      -  (crédito: Jack Guez/AFP)
Na véspera da votação para o Parlamento, cartaz mostra o premiê Netanyahu com Donald Trump: aliança contra a República Islâmica - (crédito: Jack Guez/AFP)

Israel vai às urnas hoje para renovar as 120 cadeiras do Knesset (Parlamento) em quadro de profunda incerteza sobre o futuro político imediato e com a sombra da guerra com o Irã pairando sobre o país há oito meses. Diante da ameaça real de perder o cargo, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu aposta suas fichas na retomada das ações militares em larga escala, em parceria com o aliado Donald Trump — ele próprio, às voltas com o risco elevado de ver o Partido Republicano (governista) perder a maioria em ambas as casas do Congresso, na próxima terça-feira. Ontem, a oposição acusou o premiê de "brincar com fogo", em meio a versões de bastidores sobre uma queda de braço entre ele e o comandante das Forças Armadas, que teria resistido a instruções para uma ação militar pré-eleitoral contra a República Islâmica.

As últimas pesquisas de opinião mostraram empate técnico entre o bloco de direita liderado por Netanyahu e a coligação opositora aglutinada em torno do centrista Gadi Eisenkot. Nenhuma das duas formações, porém, estaria sequer próxima de sair das urnas com a maioria (61 cadeiras) necessária para formar o próximo governo. Na arrancada final para garantir ao menos a maior bancada parlamentar, Netanyahu  publicou no X, no domingo, a imagem de uma nuvem atômica que parecia pairar sobre Tel Aviv, acompanhada de um texto, atribuído a um comentarista político, que apresenta o Irã como "ameaça existencial" e menciona o risco de um "segundo Holocausto" se ele for derrotado.

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Os adversários, na mão oposta, colocaram no centro do debate eleitoral o teor de uma reportagem do Canal 12 da TV israelense, que expôs uma "confrontação sem precedentes" entre o premiê e o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Eyal Zamir. Citando fontes governamentais e militares, a emissora afirma que Zamir teria resistido a uma instrução de Netanyahu para que fosse lançado, antes da votação, algum tipo de operação militar contra o Irã que, na avaliação do comandante, poderia conduzir a uma retomada do conflito "em um momento dramático e sensível" — nas palavras de um dos oficiais ouvidos pela reportagem.

O general teria resistido a levar adiante os planos do premiê, a quem teria reclamado "uma discussão mais aprofundada" e a entrega de "documentos assinados" pela liderança política do país antes de executar qualquer operação. De acordo com o Canal 12, altos oficiais do Exército manifestaram o receio de que o chefe do governo utilizasse "a questão iraniana para conseguir impulso político".

"Sobrevivência"

Eisenkot, ele próprio ex-chefe do Estado-Maior, manifestou no X sua oposição à utilização do Exército pelo premiê numa "campanha pela própria sobrevivência política". E advertiu: "Não tente colocar seus interesses políticos acima da segurança do Estado". O atual líder da oposição no Knesset, o ex-premiê Yair Lapid, reagiu à reportagem do Canal 12 afirmando que Netanyahu "perdeu a cabeça". "Devemos, imperativamente, mandá-lo para casa", emendou. Mesmo no campo da extrema-direita, o ex-ministro da Defesa Avigdor Lieberman, que já foi aliado do premiê, exigiu que ele seja investigado por "traição", pois estaria "disposto a sacrificar a vida dos soldados porque teme uma derrota eleitoral".

O atual titular da Defesa, Israel Katz, falou em favor de Netanyahu e classificou como "totalmente infundadas e falsas" as versões sobre divergências entre governo e Exército. Afirmou, "categoricamente", que não existiria qualquer intenção de atacar o Irã antes das eleições. Na semana passada, porém, circulou na imprensa israelense e internacional o rumor de que Donald Trump teria recusado um plano de ataque conjunto à República Islâmica, proposto pelo premiê. A informação coincidiu com a visita reservada feita a Israel pelo secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, em meio a versões de que aviões dos dois países teriam feito exercícios nos limites do espaço aéreo iraniano.

"Tanto faz"

Colocado no centro da disputa eleitoral israelense, o governo de Teerã manifestou completa indiferença pelo desfecho da votação de hoje no arquirrival. "Pouco nos importa quem possa vir a assumir a liderança de um regime que só trouxe violência e massacres para a nossa região", declarou um porta-voz da diplomacia iraniana. Ele respondia a declarações recentes do presidente dos EUA, que renovou a ameaça de derrubar o regime islâmico e reiterou o apoio à reeleição de Netanyahu, com quem contaria para "completar logo o serviço" no Irã.

 


Trump insulta a Noruega

Em campanha frenética para ajudar os candidatos do Partido Republicano na disputa por cadeiras na Câmara dos Deputados e no Senado, na próxima terça-feira, Donald Trump dirigiu ofensas pesadas à Noruega — uma semana depois de o Comitê Norueguês do Nobel ter preterido o presidente norte-americano e outorgado o prêmio da Paz para a jurista sul-africana Navi Pillay,
ex-presidente do Tribunal Penal Internacional. Discursando no estado de Michigan, Trump afirmou que os cidadãos do país nórdico "não são bem-vindos" como imigrantes nos EUA. "Francamente, a Noruega é um lixo. Tornou-se um país de m...", disparou. O presidente, que corre o risco de ficar em minoria em ambas as casas legislativas, frisou que receberia "de bom grado" cidadãos de "certos países", mas não da Noruega,
"porque não ganhei
o Nobel da Paz".

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postado em 27/10/2026 05:00
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