Pelo menos 20 pessoas, incluindo três crianças, morreram nas primeiras horas da madrugada deste sábado (10/10) em ataques russos contra a cidade de Zaporizhzhia, no sul da Ucrânia. A polícia informou que a Rússia apontou contra os bairros residenciais da cidade, que fica a dezenas de quilômetros da linha de frente, com cinco bombas. Duas delas atingiram edifícios residenciais. Equipes de resgate foram mobilizadas para os prédios residenciais atingidos e realizam trabalhos de busca por desaparecidos. Havia ao menos 11 desaparecidos na cidade até a última atualização desta reportagem, segundo autoridades locais.
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Daniil Pishkin, um voluntário, chegou rapidamente com sua equipe de resgate a um dos locais atingidos. "Vimos pessoas sob os escombros, uma mulher, o marido e uma criança", disse à AFP. Duas pessoas foram resgatadas dos destroços, mas "infelizmente uma menina pequena morreu". Irina, de 69 anos, moradora de um dos prédios atingidos, mal teve tempo de buscar refúgio no banheiro após os avisos de bombardeio iminente. Os vizinhos, um casal de amigos, morreram. "Tinham 75 anos. Foram projetados para a rua. Não sobreviveram no caminho até o hospital".
A capital Kiev registrou neste sábado "cortes de eletricidade em larga escala" em consequência dos ataques russos, segundo a DTEK, a principal empresa privada de energia da Ucrânia. Jornalistas da AFP ouviram explosões sobre a capital ucraniana durante o dia. O prefeito da cidade, Vitali Klitschko, informou que um restaurante foi atingido por um dos ataques.
Nos últimos meses, a Rússia intensificou os ataques contra o território ucraniano, com um número crescente de vítimas civis. Kiev também reforçou as ações de represália contra alvos em território russo.
Na sexta-feira, o presidente americano Donald Trump e o mandatário russo Vladimir Putin conversaram por telefone.
Após o diálogo, o republicano anunciou um acordo para que Moscou forneça diesel aos mercados americano e mundial. "A Rússia fornecerá imediatamente mais de 300.000 toneladas de diesel aos mercados americano e global, e outras 500.000 toneladas em novembro", publicou Trump em suas redes sociais, após conversar com Putin.
"Índigno"
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, chamou o acordo de "indigno". "A Rússia expressou agradecimento pela suspensão das sanções às exportações de diesel lançando cinco bombas contra prédios residenciais em Zaporizhzhia", denunciou o ucraniano. Em uma mensagem publicada no Facebook, Zelensky afirmou que o acordo precisa ser revertido. "A Rússia escolheu a guerra" e ontem "recebeu a mensagem de que poderia seguir atacando", escreveu.
O líder ucraniano disse ainda que 13 estados ucranianos foram alvo de projéteis russos durante o ataque noturno, incluindo Kiev. Zelensky prometeu retaliar o ataque russo. Segundo a ONU, o número de vítimas civis na Ucrânia aumentou 55% nos primeiros oito meses deste ano. A estatística acompanha uma constante escalada dos ataques aéreos russos contra o território ucraniano
