Uma onda de manifestações contra a inflação e os cortes nos serviços públicos terminou com uma pessoa morta, mais de 600 policiais feridos e cerca de 2 mil detenções na França. Os protestos, realizados no sábado (17/10), reuniram mais de 500 mil pessoas em dezenas de cidades e provocaram confrontos com as forças de segurança, além de depredações e incêndios. Neste domingo (18/10), equipes trabalhavam para avaliar os prejuízos.
Segundo o ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, boa parte das manifestações ocorreu pacificamente, mas grupos de manifestantes entraram em confronto com a polícia.
Em Paris onde a única morte foi registrada em decorrência de um ataque cardíaco, estabelecimentos comerciais tiveram vitrines destruídas, enquanto bicicletas incendiadas e pichações foram encontradas em diferentes pontos da capital.
A mobilização começou há cerca de um mês, inicialmente liderada por estudantes que reivindicavam melhorias nas condições das escolas e denunciavam a falta de professores em regiões periféricas.
Com o passar das semanas, os atos ganharam adesão de outros setores da população, insatisfeitos com o aumento do custo de vida, a desigualdade social e a redução dos investimentos em serviços públicos.
Incêndios e saques
Entre as cidades atingidas, Limoges registrou alguns dos danos mais expressivos. Um incêndio criminoso destruiu parcialmente a prefeitura, instalada em um edifício histórico de 143 anos.
As chamas começaram após um veículo da polícia municipal ser incendiado diante do imóvel e se espalharam pela construção, provocando o desabamento do telhado sobre os pavimentos inferiores. Apenas a ala oeste escapou dos maiores danos.
A violência também atingiu residências e estabelecimentos comerciais. Em uma das ocorrências, pessoas mascaradas invadiram a casa de um representante do governo local. Thomas Cazenave, prefeito de Bordeaux, relatou ainda que aproximadamente 100 lojas foram saqueadas durante os distúrbios.
Na capital francesa, os atos que haviam começado sem confrontos terminaram em episódios de vandalismo e embates entre manifestantes e agentes de segurança. Os prejuízos levaram as autoridades a iniciar levantamentos dos danos causados ao patrimônio público e privado.
Governo promete punições
A dimensão dos confrontos provocou uma reação do governo francês, que condenou a violência e anunciou medidas contra os responsáveis pelas depredações.
O presidente Emmanuel Macron se manifestou nas redes sociais e declarou que não há "espaço para violência na República".
Em uma publicação no X, o chefe de Estado afirmou que os envolvidos na destruição de prédios públicos e estabelecimentos comerciais deverão responder pelos atos.
"Aqueles que depredaram, atacaram as prefeituras e o comércio, e saquearam até mesmo nossos prédios públicos, serão processados e punidos", escreveu Macron.
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu também condenou os episódios e garantiu que o Executivo não será "intimidado" pelas manifestações violentas.
Ele atribuiu os distúrbios à "extrema esquerda" e a criminosos comuns. A crise ocorre em um período de tensão política, com as eleições presidenciais francesas previstas para o próximo ano.
Além das medidas de segurança, o governo anunciou iniciativas para auxiliar os comerciantes prejudicados. O ministro da Economia, Roland Lescure, prometeu apoio aos estabelecimentos atingidos e afirmou que os responsáveis pela destruição "pagarão e repararão os danos".
Em Marselha, o prefeito Benoît Payan também anunciou a liberação de ajuda financeira emergencial para os empresários que sofreram prejuízos.
A insatisfação com a situação econômica não ficou restrita à França. No mesmo sábado, Portugal, Itália, Bélgica e Espanha também registraram manifestações contra o aumento do custo de vida e os preços da moradia.
Veja mais imagens dos danos provocados pelos protestos em cidades francesas:
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