
Melhores condições de ensino. Com essa demanda, estudantes saíram às ruas das principais cidades da França, improvisaram e incendiaram barricadas e entraram em choque com as forças de segurança. Os protestos, que começaram na semana passada e se espalharam entre jovens de 15 a 18 anos de outras regiões do país, afetaram o funcionamento de 564 escolas, de acordo com autoridades. Na capital Paris e em Estrasburgo, as manifestações ganharam contornos violentos. Um policial também foi brutalmente agredido, em Belfort (nordeste), por "arruaceiros", como descreveu o ministro do Interior, Laurent Nuñez.
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Na entrada da escola Turgot, no centro de Paris, vários estudantes, alguns encapuzados, bloquearam a entrada do prédio com faixas com frases, como "Não vamos parar até que sejamos ouvidos" ou "Quem nos protege da polícia?". "O horário está pesado demais. Muitas vezes temos aula das 8h às 18h. Além disso, estudamos duas horas por dia em casa. Não temos tempo para atividades extracurriculares", explicou à agência France-Presse Simon, um estudante de 15 anos que pediu para não ter o sobrenome revelado. Entre as reclamações dos manifestantes, figuram as faltas excessivas dos professores e a inexistência de substitutos, em um momento em que a França tenta reduzir os gastos para reduzir a dívida pública.
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Em entrevista ao Correio, Jean-Yves Camus — cientista político da Fundação Jean Jaurès (em Paris) — afirmou que o principal motivo para os protestos é a escassez de verbas para a educação. "Isso resulta em turmas superlotadas. Os manifestantes também destacam a escassez de professores e os baixos salários pagos à categoria", disse. "No entanto, muitos manifestantes incluem palavras de ordem que nada têm a ver com o sistema educacional, como o apoio a Gaza. O partido de extrema-esquerda de Mélenchon, o LFI, frequentemente está por trás dos protestos, tentando conferir ao movimento uma postura mais ideológica contra o Estado e a polícia."
Ainda segundo Camus, protestos têm sido recorrentes na França sempre que o governo tenta reformar o sistema educacional. "Com a eleição presidencial à vista, os representantes eleitos do LFI atuam de forma muito ativa ao lado dos manifestantes e não hesitam em confrontar a polícia", disse o estudioso. A França escolherá o próximo presidente em 18 de abril.
Na tentativa de chegar a uma solução para a crise, o ministro da Educação, Édouard Geffray, dialogou com sindicatos da área e com associações estudantis, mas não houve consenso. Os representantes dos estudantes reiteraram o apelo para manter o movimento e convocaram uma jornada de grandes protestos para a próxima terça-feira. Eles criticaram a "falta de medidas concretas". O governo do presidente Emmanuel Macron (centro-direita) reconhece a legitimidade dos protestos, mas não a violência. Geffray acusou "grupos marginais" de terem "sequestrado" o movimento estudantil.
Feridos
Mais de 300 policiais e gendarmes ficaram feridos, assim como 65 funcionários do Ministério da Educação, entre eles 40 diretores de escolas, além de 170 alunos, desde o início do movimento, segundo as autoridades. Na cidade de Marselha (sul), a segunda mais populosa da França, muitas escolas organizaram aulas remotas, depois que os protestos interromperam, na quinta-feira, os serviços de transportes. Estudantes queimaram patinetes elétricos diante de um estabelecimento de ensino.
O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, afirmou que pediu aos promotores que responsabilizem os pais pelos danos causados pelos filhos durante as manifestações e que "paguem pelos reparos". Somente nesta sexta-feira (2/10), 1.747 pessoas foram detidas, de acordo com o Ministério do Interior. Desde segunda-feira (28/9), foram mais de 5 mil presos. As primeiras detenções resultaram, nos tribunais, em condenações à prestação de serviços à comunidade.
Derrota ao premiê espanhol
"Vergonha, vergonha!", gritavam milhares de pessoas reunidas ao redor do Congresso da Espanha, assim que souberam que os deputados tinham rejeitado dois decretos sobre moradia propostos pelo governo de Pedro Sánchez. A decisão dos parlamentares representa duro revés ao primeiro-ministro e ao Executivo.
O primeiro decreto, aprovado pelo governo de esquerda, na terça-feira, para enfrentar a crise habitacional, foi derrubado por 178 votos contra e 172 a favor. O segundo foi rejeitado minutos depois, por 184 votos contra e 166 a favor. Em uma Câmara fragmentada, na qual o governo não tem maioria, tampouco surtiu efeito a intervenção de última hora de Sánchez, que pediu aos deputados que fossem "corajosos". "Peço que estejam à altura do que os cidadãos estão nos pedindo", declarou.
Milhares de manifestantes vindos da Praça Puerta del Sol, onde há mais de uma semana foi instalado um acampamento para cobrar soluções, acompanharam a sessão do lado de fora. "Isso não pode continuar assim", disse à agência France-Presse (AFP) Miél Díaz, professor de 23 anos, que afirma não conseguir sair da casa da família devido aos altos aluguéis. "A maioria das pessoas deste país tem um problema com moradia ou conhece alguém que tem", acrescentou.
O governo aprovou os decretos em meio à onda de protestos desencadeada pelo despejo, na semana passada, de Maricarmen Abascal, uma moradora de Madri de 87 anos, obrigada a deixar o apartamento onde vivia havia sete décadas. Os textos incluíam a renovação automática dos contratos de aluguel no vencimento e medidas para restringir os despejos de inquilinos vulneráveis. Também miravam os chamados "fundos abutres", que compram imóveis a preços baixos para maximizar sua rentabilidade. "Esta não é uma sessão qualquer. Milhares de pessoas estão acompanhando a votação", advertiu a ministra da Habitação, Isabel Rodríguez.
Com a rejeição dos decretos, a oposição intensificou os pedidos para que Sánchez antecipe as eleições legislativas, previstas para 2027. "Quanto antes forem as eleições, melhor, mas que sejam transparentes, livres e sem trapaças", declarou o líder do partido de extrema direita Vox, Santiago Abascal. Integrantes do governo não deram sinais sobre essa possibilidade. "Conversei com ele e minha discrição será absoluta sobre esta questão", disse a vice-presidente do governo, Yolanda Díaz, à rádio Cadena Ser.
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