ELEIÇÕES NOS EUA

Começa apuração de eleições legislativas decisivas para Trump

A oposição democrata espera conquistar a maioria na Câmara dos Representantes (435 cadeiras) e tem boas perspectivas para o Senado, que renova 35 de seus 100 assentos

Homem vota em Ohio, nos EUA, nas midterms americanas, as eleições de meio de mandato.  -  (crédito: David MAXWELL / AFP)
Homem vota em Ohio, nos EUA, nas midterms americanas, as eleições de meio de mandato. - (crédito: David MAXWELL / AFP)

Locais de votação do leste dos Estados Unidos começaram nesta terça-feira (3) a contar os votos das eleições legislativas de meio de mandato, um pleito com pesquisas favoráveis aos democratas que se anuncia como um veredicto sobre a presidência de Donald Trump.

A oposição democrata espera conquistar a maioria na Câmara dos Representantes (435 cadeiras) e tem boas perspectivas para o Senado, que renova 35 de seus 100 assentos.

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Os democratas, com 47 assentos na Câmara Alta, têm chances de chegar a 51, com pesquisas que lhes dão possibilidades de tomar cadeiras dos republicanos em estados tradicionalmente conservadores como Maine, Alasca, Texas, Ohio e Kansas.

Uma derrota republicana no Senado poderia favorecer politicamente uma nova tentativa de destituição de Trump, após os dois processos de impeachment que enfrentou em seu primeiro mandato (2017–2021). A abertura do processo depende da Câmara, e a condenação exige dois terços dos senadores presentes.

Alguns distritos eleitorais de Indiana e Kentucky encerraram a votação às 18h00 (20h00 de Brasília) e começaram a apuração.

Em caso de derrota, Trump afirma que está disposto a se transformar no "Senhor Veto" e bloquear as iniciativas legislativas de um Congresso opositor, o que aumentaria ainda mais a tensão política no país.

Donta Comer, de 38 anos, morador de Atlanta, na Geórgia, disse ter votado "principalmente em candidatos democratas".

"Trata-se simplesmente do custo de vida, dos preços da gasolina, desse tipo de coisa", afirmou Comer. "As coisas precisam mudar para as pessoas comuns, e eu sou uma pessoa comum", acrescentou.

"Os democratas eram decentes no passado, mas se tornaram muito socialistas, comunistas. Não os quero", declarou em Miami Maru Restrepo, de 70 anos, simpatizante republicana de origem colombiana.

Trump concedeu uma entrevista por telefone à Fox nesta terça-feira para tentar convencer os eleitores, defendendo os quase dois anos de gestão de seu segundo mandato.

"Temos que manter a grandeza dos Estados Unidos. Agora somos grandes. Há dois anos éramos terríveis", declarou o republicano.

 Problemas em Nova York

Exceto por problemas em algumas máquinas de votação em um condado do estado de Nova York, a jornada foi tranquila em todo o país, sob a vigilância de um milhar de observadores eleitorais do Departamento de Justiça, um contingente inédito.

Os democratas sonham com a revanche política após o duro revés que significou, em 2025, o retorno de Trump à Casa Branca, onde ele não deu trégua à oposição, com campanhas militares de êxito desigual na Venezuela e no Irã, cortes de impostos e dezenas de decretos presidenciais.

Trump fez apostas ousadas, mas as principais preocupações dos eleitores, a economia e o custo de vida, não desapareceram. Pelo contrário. 

Pior índice de popularidade

Trump enfrenta o pior índice de popularidade de um presidente em meio de mandato, com cerca de 70% de descontentes, e pode apenas apostar na mobilização de seus seguidores incondicionais para tentar evitar perder a maioria nas duas câmaras.

Por sua vez, os democratas apoiaram boa parte de sua campanha no entusiasmo da ala mais à esquerda do partido, que promoveu uma intensa mobilização para o registro de eleitores.

A mobilização também apresenta riscos, já que a ala à esquerda tem posições sobre a polícia migratória, a relação com Israel ou os impostos que se afastam abertamente do eleitorado médio democrata.

Um total de 53% dos eleitores hispânicos se declaram "extremamente motivados" para comparecer às urnas, um avanço considerável em relação aos 41% de quatro anos atrás, segundo o centro de estudos Pew.

Trump venceu com quase metade desses votos em 2024. Agora, apenas 24% dos eleitores dessa importante minoria aprovam seu desempenho no governo.

Em sua última projeção antes das eleições, a empresa de previsões Decision Desk HQ estimava que o Senado passaria a uma maioria de 52 a 48 a favor dos democratas. Além disso, o partido de oposição conquistaria uma vantagem confortável de 241 a 194 na Câmara dos Representantes.

 O início do fim?

Em caso de vitória, a oposição quer abrir investigações contra o presidente Trump, seu governo e sua família, além de tentar bloquear suas nomeações e o financiamento da guerra no Irã.

Além do Congresso, os americanos votarão para definir 36 governos estaduais e em vários referendos.

As eleições podem representar a ascensão de jovens promessas, como o democrata James Talarico, que poderia conquistar uma vitória crucial no Texas.

Os eleitores podem levar dias para conhecer os resultados das eleições.

Além das disputas apertadas em alguns estados, no Alasca o governo federal quer impugnar preventivamente o resultado, depois que os democratas apresentaram um candidato com um nome idêntico ao do candidato republicano.

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Por AFP
postado em 03/11/2026 21:44
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