OPINIÃO

Em nome de Gabriel Jesus

Marcos Paulo Lima
postado em 14/11/2021 06:00

O Brasil precisou de 12 dos 18 jogos das Eliminatórias da América do Sul para fazer check-in na Copa do Catar, a partir de 21 de novembro de 2022. Acumula 11 vitórias e um empate. Fez 27 gols e sofreu quatro. Aproveitamento de 94,4%. A Seleção do Adenor Leonardo Bachi está longe de arrancar suspiros, como no início do trabalho, mas poupa o torcedor de roer as unhas ou arrancar fios de cabelo. Lembra das classificações sofridas para os mundiais de 1994, 2002 e, por que não dizer, 2018? Há cinco anos, Tite herdou de Dunga um Brasil atolado na sexta posição. Fora até da zona de repescagem. Eliminado pelo Peru na fase de grupos da Copa América Centenário, nos Estados Unidos.

Justos elogios a quem pôs ordem no caos, apontarei, agora, um problema. A Seleção tem um camisa 9 que não faz gol. Tite precisa submeter urgentemente Gabriel Jesus a uma terapia ou trabalho espiritual. Dos pés à cabeça. São 12 jogos de jejum. O último dele foi em 7 de julho de 2019, no Maracanã, na final da Copa América contra o Peru.

Gabriel Jesus é baita jogador. Provo com um levantamento: no período de abstinência na Seleção, ele acumula 41 gols e 22 assistências no Manchester City. Por que é produtivo sob a batuta de Pep Guardiola e dá pau com Tite?

O 9 da Seleção saiu da Copa da Rússia sem fazer gol. Não balançou a rede na Copa América deste ano. Expulso nas quartas de final contra o Chile, foi suspenso pela Conmebol. Ficou fora da decisão contra a Argentina.

Perguntei ao Tite nesta semana o que falta para Jesus doutrinar na Seleção. "Gabriel é atacante, 9 ou 7. Ou é de lado, ponta, externo, agressivo, ou é 9 também de infiltração, passe em profundidade. Ele tem essa versatilidade", alegou. E fez uma parábola. "O fazer gol é muito de oportunidades que surgem. Lembro do Edmar (artilheiro do Brasileirão de 1985), com quem joguei (no Guarani), que dizia: 'eu chego atrasado, ela bate e sobra pra mim e eu guardo. Outras eu estou no local, acompanho a jogada e ela não vem'".

Tite não é o primeiro técnico da Seleção a ter dificuldade para consagrar a camisa 9. A última vez que um centroavante da Seleção foi artilheiro de torneio oficial faz oito anos. Fred terminou a Copa das Confederações 2013 com cinco gols. Everton Cebolinha foi goleador da Copa América 2019, mas é ponta.

Falta ao Brasil o que antes sobrava. O Careca. O Romário. O Ronaldo. O Adriano. O centroavante raiz, fora de série. Virou artigo de luxo. A França tem Benzema. Kane é o cara da Inglaterra. Lukaku, o "monstro" da Bélgica. O Uruguai conta com Cavani e Suárez. A Argentina deixou de fabricar "Batistutas" e "Crespos", mas Messi é multiuso. Em último caso, Portugal improvisará Cristiano Ronaldo de nove. Lewandowski, o melhor do mundo, é astro da Polônia. Tite apegou-se a Gabriel Jesus. Então, que se reinvente para não sacrificar de novo o filho da Dona Vera na Copa do Mundo.

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