ARTIGO

A democracia é escudo

Um país antidemocrático imputa ao seu povo ameaças bélicas internas e externas, porque entrega de bandeja pretextos para uma intervenção que quase sempre — e nesse caso — tem outros motivos

Estamos a quatro dias dos três anos do tenebroso 8 de janeiro, em que sofremos uma tentativa de golpe -  (crédito: Fellipe Sampaio /SCO/STF)
Estamos a quatro dias dos três anos do tenebroso 8 de janeiro, em que sofremos uma tentativa de golpe - (crédito: Fellipe Sampaio /SCO/STF)

Escrevo sob o impacto da notícia do ataque à Venezuela pelos Estados Unidos, incluindo a captura do presidente Nicolás Maduro e da esposa dele, e ainda sem saber o desenrolar da crise ao longo deste fim de semana.

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O presidente Lula classificou os ataques como uma "afronta gravíssima à soberania da Venezuela" e afirmou que a ação abre um precedente perigoso "para toda a comunidade internacional". Outros países, como Irã e Rússia, foram na mesma linha, assim como a líder da extrema-direita da França, Marine Le pen. Já a Argentina permaneceu alinhada a Trump. Fortalecida após receber o Nobel da Paz em 2025, María Corina Machado optou por uma manifestação a favor da mudança na Presidência, porém sem defender a soberania do território venezuelano.

Deixarei para os especialistas e para as equipes jornalísticas envolvidas na cobertura a análise acurada e a atualização sobre a investida militar de Trump, com todas as consequências para a Venezuela, a América Latina e o mundo.

Mas gostaria de deixar uma impressão que caminha comigo ao longo de tantos anos de jornalismo e de vivência cidadã. Percebo que a falta de apreço pela democracia fragiliza qualquer país interna e externamente. Eleições fraudulentas, sufocamento das oposições, censura à imprensa e perpetuação de forças políticas no poder levam a um ambiente interno de profunda insastisfação, suspeitas, corrupção, contaminação e fraqueza dos poderes constituídos, derrocada da economia, miséria e insurreições populares, que por tantas vezes culminam em crescimento de facções e milícias, além de guerras civis.

Mais do que isso, um país antidemocrático imputa ao seu povo ameaças bélicas internas e externas, porque entrega de bandeja pretextos para uma intervenção que quase sempre — e nesse caso — tem outros motivos: petróleo, dinheiro, exploração de riquezas, demonstração de poder, ocupação de territórios estratégicos. Ou seja, para além da ficha corrida de acusações contra ditadores, há interesses diversos envolvidos e um imenso risco para a paz.

Resumindo, a mensagem que quero deixar é: a democracia é escudo. Protege um país, sua população e sua soberania. Uma nação que respeita a democracia não está imune a ataques, mas consegue responder com mais recursos. Estamos a quatro dias dos três anos do tenebroso 8 de janeiro, em que sofremos uma tentativa de golpe. Foi uma prova de fogo contra nossa democracia, que sobreviveu, puniu os artífices e levou para a cadeia muitos dos brasileiros que acharam que podiam atentar contra a Constituição.

Ao reagir, o Brasil deu um recado claro, não só a quem orquestrou o ataque às sedes dos Poderes, mas ao mundo. E esse é um sinal importantíssimo contra ameaças de qualquer tipo. Uma democracia forte eleva a importância de um país no cenário internacional e tranquiliza seu povo. Cuidemos!

 


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postado em 04/01/2026 06:01
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