ARTIGO

A 'Caminhada pela Paz'

Quilômetro a quilômetro, passo a passo, os 19 religiosos enfrentam o inverno rigoroso na rota de 10 estados

Acompanho pelas redes sociais a jornada de monges budistas que saíram da pequena Forth Worth, no Texas, à Washington. Intitulada "Caminhada para a Paz", a empreitada durará aproximadamente 120 dias, com previsão de chegada em fevereiro à capital do império estadunidense. Por onde passa, a pequena caravana, silenciosa, comove pessoas, com uma postura amorosa e cheia de compaixão. 

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Quilômetro a quilômetro, passo a passo, os 19 religiosos enfrentam o inverno rigoroso na rota de 10 estados, sem estardalhaço. Nem mesmo o acidente com um caminhão desgovernado que feriu gravemente um monge e provocou a amputação da perna de outro os fez recuar. A paz seguiu seu caminho para cumprir o percurso de 3.700 quilômetros. Ganham alojamento, água e comida oferecidos pela comunidade.

À frente do grupo vai a cadela Aloka, nome que significa luz, brilho, iluminação; não aquela que cega, mas a que revela, como destacam os budistas.  Em cada cidadezinha à beira da estrada, multidões se formam para vê-los passar... Uns entregam flores, outros pedem bênçãos, choram, riem, celebram... Não porque os monges estão dizendo algo dramático, eloquente... Eles apenas caminham pela paz.

Toda essa carga emocional manifesta um sentimento crescente: estamos fartos de barulho, exaustos do ódio, exauridos da polarização, nós contra eles. Não queremos vitória ou derrota, queremos paz. Esses monges representam, para todos nós, um basta ao barulho ensurdecedor das máquinas do ódio que nos alcançam principalmente por meio da internet. Vivemos sobressaltados. 

Fadiga emocional não é fraqueza. Mas, sinal de que ainda temos chances de mudar as coisas, temos amor. Isso mesmo, amor. É preciso dar um basta. Esses monges recusam a raiva, a revolta e demonstram que o silêncio é uma forma de coragem, de luta amorosa, que nos faz refletir. Olha, não estou aqui falando de religião, nem quero ser proselitista, por favor. 

No Brasil, teremos um ano de eleições em que a polarização do último pleito deve ser o mote dos candidatos. A história desses monges e dos americanos que os acolhem na jornada rumo a Washington serve para nós, brasileiros. Precisamos identificar as máquinas de ódio, os discursos beligerantes, as pessoas que lucram (e muito) com a divisão do país. Precisamos dizer a eles, basta! Chega de adoecimento, como ocorreu num passado não tão distante.

Sim, a paz é uma utopia, você pode até dizer, meu amigo, mas como é importante neste momento da história caminhar nessa direção. 

P.S. Se você quiser acompanhar os monges: https://www.instagram.com/walkforpeaceusa

https://www.correiobraziliense.com.br/webstories/2025/04/7121170-canal-do-correio-braziliense-no-whatsapp.html 

 


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