ARTIGO

Racismo ambiental: compromisso com a bioeconomia é urgente e transformador

A agenda climática e de inclusão não pode esperar. O futuro do país depende da nossa capacidade de unir diversidade, inovação e respeito às comunidades

José Ricardo Sasseron, Vice-presidente de Negócios Governo e Sustentabilidade Empresarial do Banco do Brasil

 

O Brasil tem aprofundado um debate essencial e urgente: o racismo ambiental, que se manifesta quando populações negras, indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e populações de baixa renda são mais afetadas por eventos climáticos extremos, dificuldades de acesso a políticas públicas, crédito e infraestrutura. Enfrentar esse desafio exige ações concretas, escaláveis e inovadoras.

A realização da COP30, em Belém, marcou um momento histórico para o país e para a Amazônia. Ao sediar a principal conferência climática do planeta, o Brasil mostrou ao mundo que a transição ecológica só será concluída em sua plenitude se for inclusiva e justa, proporcionando geração de renda onde historicamente houve escassez para reparar desigualdades que moldaram nosso território.

Um dos caminhos é o acesso ao crédito para promover a inclusão socioprodutiva de agricultores familiares, povos que retiram seu sustento das florestas e as mantêm em pé e comunidades tradicionais. Ao garantir acesso a recursos financeiros em condições adequadas, o crédito possibilita que essas pessoas invistam em tecnologia, diversificação da produção e melhoria da renda, rompendo ciclos históricos de pobreza rural.

Nesse contexto, o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) ocupa papel central. Mais do que uma política de financiamento, o programa reconhece a agricultura familiar como vetor estratégico do desenvolvimento social e sustentável, da segurança alimentar e da fixação das famílias no campo. Ao oferecer juros subsidiados, prazos compatíveis com a realidade produtiva e linhas específicas para mulheres, jovens e o incentivo à utilização de práticas sustentáveis no campo, o Pronaf amplia oportunidades e fortalece a autonomia econômica de milhões de agricultores, contribuindo para um setor agrícola mais produtivo, justo e resiliente.

É nesse cenário que, dentro de sua missão social, o Banco do Brasil mantém um compromisso contínuo com a promoção da bioeconomia. Uma das estratégias de atuação é o Hub Financeiro de Bioeconomia que, desde 2024, oferece suporte qualificado por meio de agentes de crédito. Atualmente, o Hub conta com unidades nos biomas da Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica.

Os resultados são evidentes: mais de R$ 2 bilhões em financiamentos e expectativa de atingir R$ 5 bilhões até 2030, com cerca de 1 milhão de pessoas impactadas positivamente por ações que promovem geração de renda, educação, manejo sustentável e conservação ambiental, com atenção especial a Amazônia Legal, Cerrado e Caatinga.

Já a inclusão e a reparação de desigualdades históricas também se mostram fundamentais, por remeterem a uma abordagem integral para fortalecer a base produtiva, além de potencializar o impacto social.

Essas desigualdades no campo brasileiro têm raízes na formação econômica do país, marcada pela exclusão de pequenos produtores do acesso ao crédito, a ausência de assistência técnica e aos mercados e pela invisibilidade de populações rurais nas políticas de desenvolvimento.

O estímulo a cadeias produtivas da sociobiodiversidade, ao empreendedorismo rural e à agregação de valor à produção local permite gerar renda, inibir a atuação de atravessadores e fortalecer economias de base comunitária. Ao mesmo tempo, essas ações ampliam a inclusão social, o acesso a direitos e o exercício da cidadania, especialmente entre agricultores familiares, ribeirinhos e povos tradicionais, integrando desenvolvimento econômico, justiça social e conservação ambiental.

Uma iniciativa que responde a esse desafio é a realização dos Fóruns de Ativação de Crédito, presentes em diversos territórios amazônicos e fruto de parceria do BB com o Instituto Clima e Sociedade (ICS), o Instituto Conexões Sustentáveis (Conexsus) e o Ministério do Meio Ambiente.

Os Fóruns já reuniram 2 mil participantes — sendo 45% mulheres e 8% crianças — residentes em Medicilândia, Santarém, Breves, Lábrea, Cametá, Ituberá, Baixo Tapajós, Resex Verde para Sempre, Xapuri, Cavalcante, Cáceres, com impacto positivo para 170 instituições e negócios comunitários. Mais do que crédito, levam cidadania por meio da emissão de CPF, abertura de contas, educação financeira, regularização de documentos e até vacinação. Quase mil atendimentos em 10 tipos de serviços já foram realizados, incluindo a emissão de mais de 400 documentos e promoção de 35 tipos de oficinas temáticas com mais de 400 pessoas capacitadas.

A agenda climática e de inclusão não pode esperar. O futuro do país depende da nossa capacidade de unir diversidade, inovação e respeito às comunidades. O compromisso do Banco do Brasil é seguir liderando esse movimento, com resultados concretos e impacto real.

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