
A segurança ambiental no Brasil é um tema de complexidade singular, dada a vasta biodiversidade e seu papel estratégico no equilíbrio climático global. Ao longo das últimas décadas, o país transitou entre o pioneirismo em políticas públicas e crises agudas decorrentes de graves ocorrências, desenhando um cenário de avanços significativos, mas de desafios persistentes.
O conceito de segurança ambiental ultrapassa a preservação: trata-se de garantir a estabilidade dos serviços ecossistêmicos que garantem a vida, sustentam a economia e representam a soberania nacional. A legislação ambiental brasileira, embora frequentemente alvo de flexibilizações, é tida como uma das mais completas do mundo. Porém, o que está no papel não tem se mostrado suficiente para resolver questões antigas e novas que se colocam como ameaça.
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Um dos avanços recentes diz respeito ao monitoramento remoto. O sistema desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em operação é uma referência — ele permite o acompanhamento quase em tempo real do desmatamento na Amazônia e no Cerrado, por exemplo, fornecendo dados confiáveis. O uso de drones, sensores de fibra óptica e imagens de satélite tem modernizado a vigilância, permitindo a detecção precoce de crimes e riscos. Essa transparência de dados é um pilar fundamental, pois permite que os órgãos de controle ajam com base em evidências.
Mas se existe melhoria na qualidade das informações, o sucateamento recorrente das equipes de fiscalização é um gargalo crítico. A falta de contingente humano e a redução de orçamentos para ações de campo criam vácuos que, em muitos casos, são rapidamente ocupados por criminosos ambientais. Para piorar o quadro, a impunidade incentiva a prática dos delitos e provoca uma descrença na sociedade.
As mudanças climáticas que se intensificam a cada ano adicionam uma camada de urgência e imprevisibilidade. O aumento na frequência de eventos extremos — como as secas severas no Pantanal e na Amazônia ou as enchentes devastadoras no Sudeste e no Sul — demonstra que ainda não existe um plano de adaptação e resiliência totalmente operacional em funcionamento. Medidas isoladas são necessárias para dar respostas imediatas, mas a solução passa por uma visão ampla das questões que afligem os moradores de cada canto do território nacional.
O que fica claro é que a segurança ambiental no Brasil está em uma encruzilhada. O país tem o conhecimento técnico e o arcabouço legal para se tornar uma liderança na economia verde mundial. No entanto, o sucesso dessa trajetória depende de uma vontade política contínua que supere ciclos eleitorais. É imperativo que a proteção da riqueza natural esteja integrada a todas as políticas de desenvolvimento, garantindo que o progresso econômico não ocorra às custas da exaustão dos recursos.
Os desafios atuais exigem uma governança climática participativa, com junção entre tecnologia de ponta, fiscalização rigorosa e justiça social. A integração entre informações e ações é a nova fronteira para assegurar uma gestão adequada, que garanta a integridade dos ecossistemas. Nesse contexto, o diálogo com a sociedade precisa ser claro e permanente, uma vez que a conservação dos recursos não acontece sem o envolvimento coletivo. O Brasil precisa ultrapassar de forma definitiva as barreiras que comprometem o cuidado dos biomas e impedem o desenvolvimento sustentável. A contenção de danos e a preservação precisam ser tratadas como prioridades se o país quiser evitar um colapso multissetorial em efeito dominó que resulte em prejuízos irreversíveis para o futuro.
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