Artigo

Difícil ter um INSS para chamar de seu

Alvo constante de críticas e sempre na mira rigorosa daqueles que mais precisam de seus préstimos, cabe aos responsáveis pelos caminhos da instituição cuidar melhor do que faz, e do que vai fazer

 05/05/2025. Ed Alves CB/DA Press. Politica/Brasil - Predio do INSS.  Sede / agencia no Setor de Autaquia Sul. -  (crédito:   Ed Alves CB/DA Press)
05/05/2025. Ed Alves CB/DA Press. Politica/Brasil - Predio do INSS. Sede / agencia no Setor de Autaquia Sul. - (crédito: Ed Alves CB/DA Press)

JOSÉ NATAL - Jornalista

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Ainda vai levar um tempo para que o INSS (Instituto Nacional de Seguro Social) atenda, de fato e de direito, os quase 41 milhões de brasileiros segurados e pensionistas, oferecendo a eles o esperado atendimento rápido e eficiente. Abarrotado de processos de toda ordem, pedidos de aposentadorias, auxílio doença, auxílio desemprego e benefícios que exigem uma infinidade de trâmites burocráticos, o Instituto, ano após ano acumula pilhas de problemas e por mais que anuncie providências, filas enormes insistem em levar desconforto e angústia a uma comunidade carente. 

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A opção digital do site MEU INSS limita recursos, impede argumentações do usuário e, não raro, dificulta o entendimento de idosos, em grande parte como o público alvo. Alegando necessidade de modernizar o sistema de atendimento ao público nos últimos dias de janeiro, o órgão suspendeu procedimentos e gerou transtornos e muitas cobranças. Após o evento, mais reclamações e a rotina de justificativas vazias de conteúdo, amontoado de desculpas e no centro de tudo isso o pensionista, como sempre o mais prejudicado. 

Ainda se refazendo do estrago causado pelo lamentável episódio dos descontos indevidos aplicados a segurados, e ainda às voltas com as investigações de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), o Instituto emite tímidos sinais de que as medidas administrativas em curso oferecerão bons resultados a curto prazo. A lista de queixas é vitaminada, não para de crescer, e sempre é renovada. Usuários pedem mais postos de atendimento, um maior número de atendentes nas unidades nas capitais e grandes cidades, e também menos burocracia e agilidade nas respostas a processos encaminhados. 

A utilização do ramal 135 como único recurso em apoio a utilização do site também é questionada. A cobrança para que se instale e se utilize mais recursos telefônicos é registrada com robusta insistência, e até agora ignorada. O tempo médio de espera para quem se utiliza do ramal 135 nunca é inferior a 15 ou 20 minutos, motivo cristalizado da queixa. Servidores de órgãos públicos e empresas particulares, vítimas de acidentes, e que precisam de avaliação médica para que recebam o auxílio doença também engrossam a relação de queixosos, uma vez que essa demora causa inevitável prejuízo financeiro a todos eles.

Sabidamente, o número de profissionais de saúde destinados a essa função no INSS é considerado insuficiente em muitas cidades brasileiras, notadamente no interior do País. Desde que foi criado em junho de 1990, pelo Decreto 99.350, pelo Ministério da Previdência Social, ainda no Governo José Sarney (substituindo o INPS - Instituto Nacional da Previdência Social) o INSS trabalha com um universo operacional gigantesco, no atendimento a infinitas camadas sociais, sempre em crescimento. Dados oficiais confirmados pelo próprio instituto apontam que somente no ano de 2024, 6,9 milhões de benefícios foram concedidos pela entidade, feito que apontou um recorde histórico de atendimento.

Outro registro apontado pelo órgão, como alerta e preocupação, indica que somente no ano de 2025, 4,1 milhões de pessoas, após perícia efetuadas pelo INSS foram afastadas do trabalho. Muitas em definitivo. O gigantismo de ações que envolve tudo ao redor do INSS chama a atenção,daí a necessidade de redobrada atenção e a busca de competência profissional. Segundo técnicos do Instituto, está na Região Sudeste a maior concentração de beneficiários, girando em torno de 13,4 milhões de pessoas. A Região Norte do país, com 1,5 milhões está entre o menor público usuário. 

Outro dado registrado, com alterações frequentes, apontam que o número de mulheres que recebem benefícios da previdência social é bem inferior ao número de homens. Os últimos levantamentos apontam 12 milhões de mulheres na lista de beneficiários. É fácil deduzir que, para que haja um índice de rendimento elevado e apresente aos usuários melhores resultados e respostas positivas, ainda há muita providência a ser tomada. 

Alvo constante de críticas e sempre na mira rigorosa daqueles que mais precisam de seus préstimos, cabe aos responsáveis pelos caminhos da instituição cuidar melhor do que faz, e do que vai fazer. A comunidade mais interessada em que o INSS resolva essas questões também não se desliga do que hoje acontece no Congresso Nacional, atentos ao que pode resultar das investigações da já anunciada CPI. Até lá, muita expectativa e cobranças para que haja um INSS pra chamar de seu.

 


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postado em 10/02/2026 06:01
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