Artigo

Amigos do caminhar

Os animais comunitários são companheiros do dia a dia e trazem leveza às durezas da vida. Hoje, há leis que buscam garantir sua proteção e, individualmente, toda boa vontade é válida e bem-vinda

Paula Freire é a gata aluna da Faculdade de Educação -  (crédito: Instagram/Gatinhos da UnB)
Paula Freire é a gata aluna da Faculdade de Educação - (crédito: Instagram/Gatinhos da UnB)

Quem enfrentou os longos anos de graduação na Universidade de Brasília (UnB) certamente ouviu a lenda dos estudantes que não conseguem se formar e viram gatos, figuras sempre notórias em algum corredor do Minhocão. Com moradias fixas nos departamentos, os felinos fazem companhia a alunos e funcionários, que os alimentam com ração e afeto. Nessa relação entre humanos e animais, todo mundo sai ganhando.

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Eu ainda me lembro das histórias contadas por minha irmã sobre a gata rajada conhecida como Paula Freire. Frequentadora da Faculdade de Educação, ela participava das aulas quase como quem oferece apoio moral. Preguiçosa, restringia-se a dormir nas cadeiras, é verdade, mas sua presença oferecia uma leveza que só os bichos conseguem despertar.

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Os animais comunitários, como Paula Freire e tantos outros, são aqueles que, apesar de não terem um tutor fixo, criam laços de afeto e dependência com moradores ou frequentadores daquele espaço. Essas pessoas, às vezes em condições bastante simples, tentam cuidar dos bichos oferecendo alimentos, casinhas improvisadas e carinho. Quantos cachorrinhos de porta de bar — normalmente com nomes sugestivos como Tequila ou os clássicos Caramelo e Negão — você já não encontrou por aí?

Fato é que, mesmo não oferecendo qualquer risco e estando ali, justamente por não ter outro lugar para se abrigar, muitos desses animais são hostilizados, principalmente os felinos. São literalmente chutados e, em casos mais graves, até assassinados. Sim, assassinados. Dizer que são mortos parece desproporcional demais diante de tamanha crueldade.

Não vou, neste momento, recordar as barbaridades noticiadas nas últimas semanas, inclusive no DF. Dói demais. Em especial, para aqueles que, como eu, criaram laços de carinho tão estreitos com os bichos. Restrinjo-me, no entanto, a reforçar a existência de leis que (buscam) garantir a proteção de animais comunitários. Impedir sua alimentação e cuidados é crime.

Aos que, por não terem condições de abrigar em suas casas, também tentam dar o mínimo de acalento a esses bichos carentes de tudo, fica o meu respeito e apoio. Afinal, cada um pode fazer a sua parte da maneira como for possível. Hoje, existem grupos espalhados pela cidade que se engajam e se revezam para ajudar os animais nessa situação. Cito alguns: projeto Buchinho Cheio, Tampets, Doguitos do Mato e ReciclaPets. Todos aceitam diferentes formas de contribuição. Individualmente, toda boa vontade é válida e bem-vinda. 

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postado em 09/02/2026 06:01
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