Visão do Correio

Combate à dengue em dose única ganha reforço

No início da campanha de vacinação contra a dengue, governo anuncia investimento de R$ 1,4 Bilhão no Institu Butatan, o primeiro no mundo a produzir um imunizante com dose única contra a doença

O Instituto Butantan, entidade do estado de São Paulo, foi o primeiro do mundo a produzir uma vacina, em dose única, para conter a dengue transmitida pelo mosquito Aedes aegypti — também vetor da febre chikungunya e da zika. Nesta segunda-feira, quando começou a campanha de vacinação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em cerimônia no instituto, em São Paulo, anunciou que o governo federal investirá R$ 1,4 bilhão para ampliar a infraestrutura do Butantan e aumentar a produção de soros e imunizantes. O investimento garantirá, ainda, a construção de mais duas fábricas e a modernização de duas unidades do Butantan.

Durante o evento, o presidente Lula ressaltou a importância dos investimentos públicos em inovação e tecnologia para a saúde. "Quem  investe em pesquisa neste país senão o setor público? Não é uma decisão econômica para ajudar esse ou aquele estado. Ajudar o Butantan é ter apenas a primazia de dizer que a gente está ajudando 215 milhões de almas que vivem neste país e precisam que o estado brasileiro invista", afirmou o presidente. Ele sugeriu que os excedentes da produção sejam destinados a países mais pobres da América Latina e da África.

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O objetivo do governo é garantir ao Sistema Único de Saúde (SUS) autonomia  na produção de vacinas e soros para conter epidemias como a da dengue, que ocorre entre outubro e maio, devido ao aumento das chuvas e da elevação da temperatura do clima nesse período do ano.

A aplicação da vacina contra a dengue teve início no fim do ano passado. Em janeiro último, a vacinação com o imunizante de dose única chegou aos municípios-pilotos de Maranguape, no Ceará; e Nova Lima, em Minas Gerais, onde foram imunizadas pessoas de 15 a 59 anos. A finalidade era a de avaliar o impacto do imunizante em relação à transmissão da doença  e obter dados para a elaboração de uma estratégia voltada a todo o país.

Na primeira fase de aplicação da vacina, em 2025, os casos de dengue no país tiveram uma queda de 74% na comparação com o ano anterior. Mas esse resultado positivo foi visto como uma recomendação de que o combate ao Aedes aegypti deve ser mantido  em todo o território nacional.

Em dezembro último, o Ministério da Saúde recebeu 304,6 mil doses do primeiro lote de 1,3 milhão. As aplicações da vacina Butantan-DV contra a dengue começaram em janeiro deste ano, no município de Botucatu (SP). A intenção do Ministério da Saúde é evitar os casos da dengue durante o verão, estação em que há um aumento de vítimas da dengue.

 O avanço científico do Instituto Butantan e o esforço do governo para proteger a população do desconforto e dos danos provocados pela dengue só apresentarão bons resultados com a adesão dos brasileiros, a fim de preservar a própria saúde e a dos filhos que estão sob sua guarda. Durante a epidemia de covid-19, o negacionismo em relação às orientações dos cientistas e a rejeição à vacina colaboraram para o aumento do número de mortes — mais de 700 mil em todo o país.

 


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