
Márcia Lopes — ministra das Mulheres
O 8 de Março é mais do que uma data de celebração. É um momento de reconhecer as lutas e as conquistas das mulheres brasileiras, dos movimentos feministas e, ao mesmo tempo, refletir sobre os desafios que ainda persistem. As mulheres têm sido protagonistas na construção de um país mais justo, mais democrático, mais igual e mais humano. Estão em todos os territórios, nos campos e cidades, nas universidades, nas empresas, nos movimentos sociais, nas comunidades, na política, na ciência e em tantas outras áreas, contribuindo com talento, trabalho e coragem para transformar a sociedade.
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Garantir que cada mulher possa viver uma vida plena, com acesso a direitos, oportunidades e liberdade, é uma tarefa que diz respeito a toda a sociedade. Significa assegurar que meninas possam estudar e sonhar com o futuro que desejarem, que mulheres possam ocupar espaços de decisão e liderança e que suas vozes sejam ouvidas e respeitadas.
Mas o Dia Internacional das Mulheres também nos convoca a encarar uma realidade que não pode ser ignorada: a violência contra as mulheres continua a marcar profundamente a vida de milhares de brasileiras. Entre suas formas mais extremas, está o feminicídio, expressão brutal da desigualdade de gênero e raça e da cultura de violência que ainda persiste em nossa sociedade.
Nos últimos anos, os números de feminicídios têm crescido em diversas regiões do país, revelando uma realidade alarmante. Mais do que estatísticas, cada caso representa uma vida interrompida, uma família devastada e uma comunidade marcada pela dor. A crueldade frequentemente presente nesses crimes expõe o quanto ainda precisamos avançar para garantir que mulheres possam viver sem medo.
A violência contra as mulheres cobra uma conta alta, emocional, financeira, social e política. Destrói famílias, desestrutura comunidades e compromete o futuro de crianças que crescem marcadas pela perda e pelo trauma. Também impõe custos ao Estado e à sociedade, que precisam lidar com as consequências de uma violência que poderia e deve ser evitada.
Enfrentar essa realidade exige ação firme do poder público, mas também compromisso coletivo. O combate à violência contra as mulheres não é responsabilidade de um único setor ou instituição. É um desafio que precisa mobilizar governos, instituições de justiça, escolas, empresas, organizações da sociedade civil e cada cidadão e cidadã.
Nesse sentido, iniciativas como o Pacto Brasil contra o Feminicídio representam um passo importante para fortalecer a articulação entre diferentes setores da sociedade na prevenção e no enfrentamento dessa violência. Em alinhamento com as diretrizes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil tem buscado recolocar a agenda dos direitos das mulheres no centro das políticas públicas, com destaque para a recriação do Ministério das Mulheres, que fortalece a capacidade do Estado de coordenar ações de prevenção, proteção e promoção da autonomia das mulheres. O pacto reafirma que proteger a vida das mulheres deve ser uma prioridade nacional e que somente com esforços integrados será possível reduzir os índices de feminicídio no país.
Também é fundamental ampliar o diálogo com os homens sobre esse tema. A construção de relações baseadas no respeito, na igualdade e na não violência precisa envolver toda a sociedade. Homens têm um papel essencial nesse processo, seja questionando comportamentos violentos, seja promovendo novas formas de convivência pautadas pelo respeito e pela dignidade.
O desafio está posto. Não há caminho possível para o desenvolvimento de um país que aceite a violência contra as mulheres como parte de sua realidade. O Brasil não pode avançar deixando para trás uma trilha de corpos de mulheres vítimas do feminicídio.
- Leia também: Mulheres lideram nova era da solteirice por escolha
Neste 8 de Março, reafirmamos um compromisso coletivo: construir um país onde todas as mulheres possam viver com liberdade, dignidade e segurança. Um Brasil em que o protagonismo das mulheres seja reconhecido e valorizado, e em que nenhuma vida seja perdida pela violência.
Quando as mulheres avançam, o Brasil avança junto!
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