Visão do Correio

É preciso olhar nossos jovens

Relatório do IBGE apresenta um amplo retrato da juventude brasileira — e as cores são sombrias. Os dados trazem um alerta contundente para autoridades, gestores de escolas e famílias

Há uma geração em sofrimento, particularmente entre estudantes do gênero feminino
 -  (crédito: Wikimedia commons/Divulgação )
Há uma geração em sofrimento, particularmente entre estudantes do gênero feminino - (crédito: Wikimedia commons/Divulgação )

O futuro do Brasil está sob risco. A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) na semana passada, em parceria com os ministérios da Saúde e da Educação, revela um quadro preocupante dos jovens entre 13 e 17 anos. Segundo o estudo, essa geração está vulnerável a uma série de perigos — do assédio sexual à insatisfação com a autoimagem, passando pelo aumento dos casos de bullying e pelo consumo desenfreado de cigarro eletrônico. 

O estudo reforça não apenas a necessidade imperiosa de se fortalecer políticas públicas favoráveis a crianças e adolescentes. Exige, também, a participação fundamental da sociedade, que precisa se engajar no esforço de prevenir e combater os perigos que rondam os menores de idade em casa, na escola e na rua. 

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No campo da saúde, a PeNSE alerta para o aumento exponencial do consumo de cigarro eletrônico. Em cinco anos, o percentual praticamente dobrou. Se em 2019 apenas 16,8% das crianças e dos adolescentes haviam experimentado o dispositivo eletrônico, esse percentual subiu para 29,6% em 2024. Mais grave: 26,3% haviam consumido cigarro eletrônico nos últimos 30 dias, o que indica uma tendência de hábito. As meninas são as mais adeptas a essa perigosa inovação tecnológica. Vale lembrar que a venda de cigarros eletrônicos é proibida no Brasil, mas o consumo se alastra a olhos vistos.

No ambiente escolar, a situação também é preocupante. O estudo do IBGE aponta um aumento de relatos de bullying. Um em cada quatro estudantes foi vítima recorrente de agressões físicas, verbais e pela internet. As regiões Norte e Nordeste apresentaram maior aumento de incidência. Entre os motivos mais comuns para a ocorrência de bullying, os estudantes relataram a aparência do rosto ou do cabelo (30,2%) ou a aparência do corpo (24,7%).

O bullying contribui para o surgimento de outros problemas, de ordem emocional, entre as crianças e os adolescentes. A pesquisa PeNSE relata números alarmantes sobre insatisfação com o próprio corpo, além de sentimento de tristeza e de "a vida não vale a pena" e "vontade de se machucar", segundo o questionário do IBGE. Está claro que temos uma geração em sofrimento, particularmente entre estudantes do gênero feminino.   

Realizado em mais de mil municípios e a partir do depoimento de aproximadamente 12 milhões de estudantes, o relatório do IBGE apresenta um amplo retrato da juventude brasileira — e as cores são sombrias. Os dados trazem um alerta contundente para autoridades, gestores de escolas e famílias. Não basta fortalecer políticas públicas. É preciso que a sociedade se mobilize em favor de uma geração que, em poucos anos, estará no mercado de trabalho, constituirá família e pressionará os serviços públicos de saúde. Se nada for feito, a tendência é esses problemas se agravarem. 

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Por Opinião
postado em 29/03/2026 06:00
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