Apartir de amanhã, começam a ser definidas as últimas seleções para a Copa do Mundo de 2026. Enquanto dentro das quatro linhas o momento é de expectativa positiva para os fãs do esporte, fora delas há receio quanto à realização do megaevento na América do Norte, especialmente nos Estados Unidos.
A principal dúvida que ronda a próxima edição da Copa, a esta altura, deveria ser a classificação ou não da tetracampeã Itália, que enfrentará a repescagem europeia em busca de uma vaga. No entanto, a instabilidade geopolítica criada por Donald Trump coloca em xeque a participação do Irã, seleção legitimamente classificada nas eliminatórias asiáticas, mas que pode ficar fora das disputas por conta da guerra em curso no Oriente Médio.
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"A seleção iraniana de futebol é bem-vinda à Copa do Mundo, mas realmente não acredito que seja apropriado que estejam lá, para a própria segurança deles", escreveu o líder da Casa Branca na Truth Social, a mídia social criada por ele.
Pelo sorteio, as partidas da equipe iraniana na fase de grupos serão todas em solo estadunidense. É avaliada a possibilidade de as disputas ocorrerem no México. Recentemente, o presidente da Federação Iraniana, Mehdi Taj, afirmou que, se a seleção não participar da Copa, ela estará boicotando os Estados Unidos, não o torneio mundial.
Enquanto isso, no site oficial do evento, a Fifa apresenta um menu chamado Fan Hub, uma espécie de seção do site com informações para os torcedores. Lá, a federação garante a promoção de eventos "inclusivos, onde comunidades locais e fãs de todo o mundo se reúnem para assistir, celebrar, sentir e compartilhar o maior evento esportivo do mundo".
Há, porém, um alinhamento da entidade máxima do futebol ao governo Trump — sobretudo na figura de seu presidente, Gianni Infantino — que levanta dúvidas quanto à promessa de inclusão. O caso mais emblemático da aproximação se deu em maio do ano passado. Enquanto a Fifa promovia um congresso no Paraguai com a presença de delegações do mundo inteiro, Infantino chegava ao evento três horas atrasado após acompanhar o presidente dos EUA em uma agenda no Oriente Médio. Pegou mal, e inúmeros representantes da Uefa (entidade ligada ao futebol europeu) deixaram a programação antes do horário. Também no ano passado, o presidente da Fifa criou um prêmio anual dedicado à paz e o entregou, de maneira inaugural, a Trump.
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Fica clara, dessa forma, a já conhecida convergência entre política e esporte, embora seja negada com frequência por interesseiros ou desinformados. Também é evidente um, no mínimo, contrassenso no mundo de um dos esportes mais populares do planeta. Sanciona-se a participação de atletas russos em megaeventos por conta da invasão da Ucrânia (com razão), mas não se aplica a mesma regra a outros países que usam as mesmas armas geopolíticas.
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