
Em uma analogia com o boxe, Neymar só esteve nas cordas duas vezes em 16 anos no ringue da Seleção Brasileira: a primeira no início da carreira, aos 18 anos, quando era "peso palha" e desejava disputar a Copa de 2010. O técnico Dunga não levou nem ele nem Ganso à África do Sul. Ambos tiveram um início de ano fantástico. A segunda é agora, como "peso pesado", a caminho do fim de carreira, na gestão do técnico italiano Carlo Ancelotti.
Mano Menezes, Luiz Felipe Scolari, Tite e Fernando Diniz não enfrentaram Neymar. Dorival Júnior não conseguiu chamá-lo uma única vez, porém começou a perder o emprego ao afirmar, há um ano, que projetava o Brasil para orbitar em torno do lesionado Neymar. Pegou mal!
Lançado em 2009 no Santos, o "filé de borboleta", como batizou Vanderlei Luxemburgo, levou o time ao título do Paulistão de 2010 contra o Santo André em parceria com Ganso. Dunga não se sensibilizou. Deixou Neymar nas cordas pela primeira vez: "O desenvolvimento desses jogadores se deu em fevereiro e março. Vocês acham que o jogador, por maior potencial que tenha, vai estar preparado para uma pressão de Copa do Mundo? Pela experiência de outras Copas não é isso que se vê", justificou Dunga na lista final.
Neymar deixou de ir à primeira Copa. Decepcionou-se e frustrou quem desejava vê-lo, no mínimo, no frágil banco de reservas montado por Dunga e Jorginho. Felipão foi o primeiro a elegê-lo para o Mundial em 2014, no Brasil, aos 22 anos.
Ele também disputou a Copa em 2018 e em 2022. Ambas como dono da Seleção nos seis anos e meio de trabalho do Tite. Nem psicólogo havia na comissão técnica. O camisa 10 vetava. O treinador da Seleção usava uma assessoria externa tamanho o empoderamento do astro.
O craque tem 34 anos. Partiu dele falar em pendurar as chuteiras em meio às batalhas contra as lesões, a falta de condicionamento e um certo cansaço físico e mental para entregar a melhor versão. Ancelotti notou. Está levando o único fora de série do Brasil nos últimos 16 anos às cordas para entender se ele deseja disputar a Copa. Lembra aqueles enredos da série Rocky Balboa estrelada por Sylvester Stallone. Desafio extremo para o combate seguinte. Por sinal, o Brasil jogará na Filadélfia contra o Haiti na segunda rodada.
Incrível notar a diferença entre os dois momentos nos quais Neymar ficou na berlinda. Em 2010, o Brasil fez campanha por ele. Dunga manteve a convicção.
Dezesseis anos depois, a ida de Neymar à Copa de 2026 não tem a unanimidade de 2010. Não haverá manifestação na Esplanada dos Ministérios, na Avenida Paulista ou na Orla de Copacabana se Ancelotti preteri-lo em 18 de maio. Em vez de comover, Neymar divide opiniões até na política. Quem o defende na Copa é "bolsonarista"; quem odeia, "lulista".
O número 3 do mundo em 2015 e em 2017 na era Lionel Messi e Cristiano Ronaldo depende de si para sair das cordas e convencer Carlo Ancelotti de que não aceita nocaute. A contagem continua aberta à espera de que Neymar não vá à lona.

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