
É muito difícil traduzir em palavras o choque, a indignação e a profunda desolação com a covardia cometida contra duas crianças, de 7 e 10 anos, em São Paulo. Atraídas para uma casa na Zona Leste da capital, elas foram estupradas por um adulto e quatro adolescentes. As cenas da violência, gravadas pelos próprios agressores, foram amplamente compartilhadas nas redes sociais.
Segundo as informações, no vídeo é possível ver que as crianças choram e pedem para os abusadores pararem. Os apelos são respondidos com risos. Cenas tão cruéis que o secretário de Segurança Pública do estado relatou não ter conseguido assistir até o fim.
Os cinco covardes estão detidos. Nos depoimentos deles, nenhum remorso. "Eles falam com muita tranquilidade, e o maior também fala que era uma ‘zoeira’", contou o delegado responsável pelo caso. Os estupradores só ficaram apreensivos com a expectativa de punição.
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Não deveriam se preocupar. As sentenças, quando vierem, não serão nem de longe as que eles merecem. Se justiça houvesse, de fato, no Brasil, todos iriam ficar enjaulados pelo resto da vida, independentemente da idade. Quem é capaz de tamanha perversidade contra crianças jamais deveria voltar às ruas.
O adulto, de 21 anos, mesmo que seja condenado a uma pena elevada, não a cumprirá na totalidade — como de resto ninguém cumpre neste país, não importa quão asqueroso tenha sido o crime. E, para os quatro adolescentes, que têm entre 14 e 16 anos, a lei determina um período de internação de, no máximo, três anos.
Estupradores, torturadores e assassinos de meninos e meninas nunca deveriam receber penas brandas nem ter direito à progressão de regime. Não há recuperação para seres abjetos assim. Colocá-los mais cedo em liberdade é assumir o risco de novas barbáries. Uma legislação como a nossa desperta o sentimento de impunidade e revitimiza quem sofreu a violência brutal, quem carregará a dor e o trauma pelo resto da vida.
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