ARTIGO

Madrinha do samba

Se viva estivesse, Beth Carvalho teria comemorado 80 anos na última terça-feira. Para celebrar a data, foi lançado o single "Uma rainha no céu",

A alcunha de Madrinha do Samba que Beth Carvalho recebeu é totalmente justificável. -  (crédito:  Ivan Klingen/Divulgação)
A alcunha de Madrinha do Samba que Beth Carvalho recebeu é totalmente justificável. - (crédito: Ivan Klingen/Divulgação)

Ela foi responsável pela popularização da obra de Cartola, Monarco, Nelson Cavaquinho, Nelson Sargento, Zeca Pagodinho, Almir Guineto, Arlindo Cruz, Jorge Aragão, Dudu Nobre, Luiz Carlos da Vila e Noca da Portela. Teve influência, igualmente, na decisão de Dona Ivone Lara, Jovelina Pérola Negra, Leci Brandão,Tia Surica, Mart´nália e Teresa Cristina de se tornarem cantoras.

A alcunha de Madrinha do Samba que Beth Carvalho recebeu é totalmente justificável. A expressão, na verdade, deveria ser vista não como uma mera denominação, mas, sim, como um elogio — que ela recebeu dos companheiros de ofício e também de incontáveis fãs, conquistados ao longo da vitoriosa carreira.

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Originária da classe média da Zona Sul do Rio de Janeiro, Beth se tornou conhecida nacionalmente ao participar do histórico Festival Internacional da Canção de 1968, no qual foi a intérprete de Andança, composição de Edmundo Souto Neto, Paulinho Tapajós e Danilo Caymmi classificada em terceiro lugar.

Quem venceu o certame foi Sabiá, de Tom Jobim e Chico Buarque; enquanto Pra não dizer que não falei das flores (Caminhando), de Geraldo Vandré, que conquistou o segundo lugar, era a preferida do público que superlotou o Maracanãzinho na noite de 29 de setembro de 1968.

Se viva estivesse, a sambista teria comemorado 80 anos na última terça-feira. Para celebrar a data, foi lançado o single Uma rainha no céu, composição inédita de Léo Russo, que ela descobriu na quadra do bloco Cacique de Ramos, da qual era frequentadora assídua.

Faixa que abre o projeto, Obrigado, Beth Carvalho trata-se de uma composição que carrega em sua essência sentimento de saudade e reverência e gratidão ao legado dessa grande estrela da música popular brasileira. O verso de abertura diz: Madrinha, obrigado por você existir/ E ajudar a construir o samba do nosso país/Por me estender a mão/ Eu um jovem de então/ Apaixonado pelo samba e agora mais feliz.

Tomei conhecimento de vários discos da estrela, os quais ouvi com atenção. Um dos que mais apreciei foi Beth Carvalho canta o samba da Bahia, dedicado a Dorival Caymmi. O álbum com músicas de compositores soteropolitanos foi gravado no Teatro Castro Alves, em Salvador,  em 21 e 22 de agosto de 2006. Participaram da gravação Danilo Caymmi, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Daniela Mercury, Ivete Sangalo, Margareth Menezes e Olodum, entre outros. 

Beth esteve algumas vezes em Brasília. Numa delas, ao lado de companheiros de ofício, esteve no Congresso Nacional em defesa de reivindicações relacionadas à classe artística. Em outra, para apresentação na Associação Recreativa Unidos do Cruzeiro (Aruc). Antes do show, a entrevistei, o que gerou material publicado no Correio Braziliense. Depois, tive o privilégio de estar em frente ao palco para ouvi-la interpretar clássicos de sua obra.

Quem estiver hoje no Rio de Janeiro poderá assistir a um tributo a Beth Carvalho no Teatro Rival, na Cinelândia, com a participação de Serginho Meriti, Dayse do Banjo e instrumentistas da bateria da Mangueira.

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postado em 12/05/2026 06:00
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