
A era de ouro do rádio tinha como estrelas, no set feminino, Emilinha Borba, Marlene, Dalva de Oliveira, Dircinha Batista, Linda Batista, Ademilde Fonseca, Carmélia Alves e Ângela Maria, a queridinha de Getúlio Vargas, que a chamava de Sapoti, por seu tipo mignon e sua morenice. Cada uma tinha sua característica e seu estilo.
Entre elas, havia uma outra, Nora Ney, dona de bela voz, intérprete de canções românticas, mas que chamava a atenção, também, por ser filiada ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) — assim como seu marido, o cantor Jorge Goulart.
Engajados, ambos eram ativistas do antigo Partidão. Numa espécie de autoexílio, após o golpe militar, partiram para China e União Soviética, onde fizeram uma turnê, com a realização de vários shows por cidades daqueles países.
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Na semana passada, foi lançado pela editora Garota FM o livro Nora Ney, uma voz poética e política, 100 anos, que vem a ser um dossiê sobre o legado da artista. Em 223 páginas, os nove autores dos textos, ilustrados por fotos e material jornalístico, inclusive capas de revistas especializadas da época, revisitam a trajetória de Iracema de Souza Ferreira, nome que a artista recebeu na pia batismal.
O sumário traz os títulos, com os respectivos autores, precedido pela apresentação feita em quatro partes: Eu sou Nora Ney e canto (Yuri Behr), Quando a noite me entende (Daniel Saraiva), Chove lá fora (Márcia Carvalho) e O povo canta (André Domingues dos Santos).
Todas têm subtítulos, citados a seguir. Da permanência do samba canção na primeira fase da Bossa Nova: de cigarro em cigarro (Yuri Behr); A breve e inusitada viagem da cantora de samba — canção ao mundo do rock' and roll (Chris Fuscaldo); A voz da dor: Personalidade e persona vocal (Rita Gottardi); Não há mais segredo — Nora Ney na imprensa (Daniel Saraiva); Para a mulher — Feminismo quebra de padrões (Kamille Viola); O povo canta: cartografia estética e política do canto de Nora Ney (André Domingues dos Santos).
Editora criada em 2018, a Garota FM Books tem lançado livros voltados para o mercado da música, entre os quais 1985: O ano que repaginou a música brasileira; De tudo se faz canção — 50 anos do Clube da Esquina; Ney Matogrosso — O bicho do mato; A todo vapor — O tropicalismo segundo Gal Costa; Rita Lee mora ao lado — Biografia alucinada da rainha do rock; It's long way: O exílio de Caetano Veloso; Renato Manfredini — A revolução do líder legionário; e Mela Cueca — As canções de amor que o mundo esqueceu.
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