ARTIGO

Rhuan, para sempre na memória

O suplício que marcou a curta existência de Rhuan Maycone e sua morte atroz aos 9 anos não podem cair no esquecimento

 Rhuan Maycon foi morta a facadas e esquartejado pela  mãe e a namorada -  (crédito: Reprodução/Redes Sociais)
Rhuan Maycon foi morta a facadas e esquartejado pela mãe e a namorada - (crédito: Reprodução/Redes Sociais)

No último dia 20, Rhuan Maycon teria completado 16 anos. Fiquei pensando se ele seria um adolescente típico dos nossos tempos, caso tivesse chegado a essa idade. Seria grudado em redes sociais, colecionaria figurinhas da Copa do Mundo, daria rolês com os amigos? Mas Rhuan não teve nem a chance de aproveitar a infância. Viveu somente até os 9 anos — e viveu não seria bem a palavra, sobreviveu é a mais correta. O mundo que conheceu foi praticamente só de medo e dor.

Rhuan foi retirado do convívio do restante da família quando estava com 4 anos. O pai detinha a guarda, mas o ser abjeto a quem chamava de mãe e a comparsa dela fugiram com ele do Acre. E transformaram a vida do garotinho em um profundo sofrimento. Ele não tinha o direito a brincar ou a ir à escola. Era submetido a uma rotina de violência física e psicológica — enfrentada em silêncio, sem ninguém a quem pedir socorro. A esperança nunca chegou para ele.

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A mulher de quem dependia totalmente fazia questão de mostrar o quanto o odiava. A ponto de escalar o horror na vida dele. Cortou o pênis e os testículos do menino, sem anestesia nem socorro médico. Por complicações da mutilação, ele sentia dores lancinantes ao urinar.

Não satisfeita, a criatura repugnante planejou a derradeira abominação. Um ano depois de mutilá-lo, o matou com 12 facadas. O primeiro golpe, no peito, enquanto o garotinho dormia. Ela o degolou ainda vivo e, com a ajuda da companheira, esquartejou o corpo e queimou uma parte.

O crime, um dos mais brutais e covardes da história deste país, ocorreu em Samambaia e completará sete anos no próximo domingo. A cada fim de maio, estou aqui a lembrá-lo, e a reiterar que algozes de crianças e adolescentes deveriam apodrecer atrás das grades, só sair da cadeia ao fim de suas lamentáveis vidas. Sei que não é algo que uma pessoa cristã deveria defender, mas não atingi ainda esse espírito elevado.

A minha fé me diz, porém, que Rhuan agora está em paz, que o Deus em quem acredito o embala e lhe dá o amor intenso e infinito que ele sempre mereceu. Mas o suplício que marcou sua curta existência e a morte atroz não podem cair no esquecimento. Temos de nos lembrar que Rhuan esteve aqui e que deveria ter uma vida plena e feliz. A sordidez humana não permitiu.

 

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postado em 28/05/2026 06:00
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