O samba carioca e, mais especificamente, a Portela perderam, no dia 17 último, um dos seus nomes mais representativos: Oswaldo Alves Pereira, que, artisticamente, se tornou conhecido como Noca da Portela, compositor integrante da Velha Guarda da tradicional escola de Madureira que partiu para outra dimensão aos 93 anos.
Na agremiação da Zona Norte do Rio de Janeiro, o mineiro de Leopoldina foi autor de vários sambas-enredo — entre os quais, Recordar é viver (1985), Gosto que me enrosco (1995) e ImaginaRio, 450 janeiros de uma cidade surreal (2015).
Sambista politizado, Noca, que foi Secretário de Cultura do Rio em 2007, chegou à Portela levado por Paulinho da Viola, a quem tinha como referência. Além dos sambas-enredo, foi autor de sucessos nas vozes de Zeca Pagodinho (É preciso muito amor), Alcione (Vendaval da vida), Paulinho da Viola (Peregrino) e Beth Carvalho (Virada), além de Caciqueando, que compôs para o bloco Cacique de Ramos, ao qual, também, era ligado.
Depois de tomar conhecimento da morte do cantor e compositor, o presidente Lula publicou uma observação pertinente em suas redes sociais: "O samba Virada, na voz de Beth Carvalho, foi a trilha sonora do movimento de redemocratização do país, cantado nos comícios das Diretas Já, na década de 1980".
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Nos anos de 1990, o Feitiço Mineiro, bar e restaurante, que existia na 106 Norte, empreendimento do professor e visionário Jorge Ferreira, era o ponto de encontro dos apreciadores de boa música e comida de qualidade.
À época, a produtora Sônia Alves criou o projeto Gente do Samba, que trouxe a Brasília os maiores nomes da velha guarda do samba carioca, entre os quais Monarco, Nei Lopes, Nelson Sargento, Walter Alfaiate, Dona Ivone Lara, Teresa Cristina, Tia Surica e, claro, Noca da Portela.
Diante da possibilidade de estar frente a frente com um personagem de destaque da música popular brasileira, não perdi a oportunidade de bater um papo com o cantor e compositor portelense, na qual ele falou sobre vários aspectos e momentos de sua trajetória.
A entrevista publicada no Correio Braziliense contribuiu para divulgar o show que ele iria fazer. Posteriormente, o sambista se apresentou na Aruc, ao lado dos seus companheiros da Velha Guarda da Portela — madrinha da escola de samba do Cruzeiro Velho.
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