ARTIGO

A política de horror de Trump

Longe de querer justificar o erro de imigrantes que tentam entrar de forma ilegal em outros países, vejo que o chamado país das liberdades tem promovido uma caçada de terror aos não documentados

Agentes federais detêm imigrante em prédio da Justiça, em Nova York -  (crédito: Michael M. Santiago/Getty Images/AFP)
Agentes federais detêm imigrante em prédio da Justiça, em Nova York - (crédito: Michael M. Santiago/Getty Images/AFP)

Nas últimas semanas, tive contato com duas histórias que me fizeram repensar como nós, enquanto humanidade, chegamos ao fundo do poço. Ambas deram origem a reels publicados no perfil do Correio Braziliense. A hondurenha Wendy Hernández foi presa quando se dirigia ao trabalho, na Flórida, e deportada para Honduras. O filho, de apenas 2 anos, ficou com o tio materno. Sozinho, sem a mãe, foi exposto a todo tipo de barbárie, incluindo queimaduras e abuso sexual. Ao ser detida, Wendy implorou para que o pequeno Orlin Josué fosse levado com ela. O ICE, a polícia da Imigração americana, não lhe deu ouvidos. O menino acabou morto.

A outra história envolve um garoto de 18 anos, filho de imigrantes mexicanos. Kevin González tratava um câncer agressivo na cidade americana de Chicago. Os pais, Isidoro e Norma, tentaram atravessar ilegalmente a fronteira para estar com o filho. Mas, foram presos no Arizona. O casal ficou recluso em um centro de imigração durante 30 dias. Nesse intervalo, Kevin, desenganado pelos médicos, retornou a Durango, no México. A família começou uma campanha para sensibilizar os Estados Unidos a libertarem os pais do jovem. Deportados, Isidoro e Norma conseguiram ter somente 24 horas ao lado de Kevin. O garoto morreu nos braços dos pais.

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Longe de querer justificar o erro de imigrantes que tentam entrar de forma ilegal em outros países, vejo que o chamado país das liberdades tem promovido uma caçada de terror aos não documentados. São exatamente eles que ajudam a movimentar a economia dos Estados Unidos, ocupando postos de trabalho com mão de obra barata e, às vezes, pouco qualificada. O ICE invade empresas, aborda estrangeiros nas ruas, entra em igrejas. No caso de Wendy, parece não se importar em separar famílias. 

Um levantamento do think tank Brookings Institution revela que 145 mil crianças foram retiradas do convívio dos pais durante as detenções de imigrantes ilegais — 36% delas sequer tinham 6 anos de idade. Desse total, 22 mil ficaram sem a companhia de pai e mãe, depois que ambos foram presos. A maioria das crianças com pelo menos um dos pais presos pela Imigração é oriunda do México (54%). Guatemala e Honduras aparecem em seguida, com 25%. Fico imaginando o trauma para esses pequenos. O que dizer do trauma que carregarão pelo resto da vida? Isso quando não estão expostas a perigos ou ao risco de morte, como ocorreu com Orlin Josué. 

Os apelos dos amigos e familiares para que Isidoro e Norma fossem libertados, a fim de que pudessem conviver com Kevin pelo pouco tempo que lhe restava, parece não terem comovido as autoridades americanas. Pensem em quantas histórias de dor, sofrimento, medo e solidão não são tornadas públicas, não chegam à opinião pública... A política de tolerância zero adotada pelo governo Donald Trump é condenada por ativistas dos direitos humanos, mas também por especialistas em política americana. Trump sempre classificou os imigrantes como criminosos e marginais. Coloca no mesmo balaio de terroristas e traficantes aquelas pessoas que cometeram um erro em busca de uma vida melhor. 

 

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postado em 03/06/2026 06:00
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