ARTIGO

Batalha pelo desenvolvimento

O Brasil não conseguiu inserir-se satisfatoriamente nos fluxos mais vantajosos do mercado internacional, nem forjou um mercado consumidor interno com dimensão capaz de propiciar elevadas taxas de expansão do PIB

. -  (crédito: Caio Gomez)
. - (crédito: Caio Gomez)

Ao longo do século 20, principalmente entre os anos 50 e 80, predominou a convicção de que o Brasil caminhava para a categoria de país desenvolvido. Encarando a ampliação do parque industrial como trilha correta para atingir tal categoria, foram concebidas políticas públicas destinadas a acelerar os investimentos nesse setor. Mediante o processo de substituição de importações industriais, essas políticas utilizaram mecanismos como subsídios, protecionismo, capital estrangeiro, projetos públicos e financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). 

Como consequência, o crescimento do PIB foi intenso, e o país tornou-se relevante produtor de bens de consumo, insumos básicos e bens de capital. E, também, construiu robusto sistema financeiro, dinamizou o setor de serviços em geral, progrediu em segmentos agropecuários e o padrão de vida de parte da população melhorou.  

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Agora, decorridas décadas do esforço para conquistar o status de desenvolvido, convém perguntar: a) Podemos considerar o Brasil como vitorioso no avanço em direção a esse status? b) A qualidade de vida da maioria da população equivale à desfrutada pela maioria dos habitantes de Estados Unidos, Europa Ocidental e Canadá? c) O trajeto percorrido pelo nosso país assemelha-se ao seguido pelos de intenso crescimento recente? 

As óbvias respostas a essas perguntas sugerem a necessidade de um esforço nacional de autocrítica. Este artigo não pretende explicar as causas da performance brasileira, o que demandaria a elaboração de um livro, mas, sim, limita-se a refletir sobre expectativas quanto ao futuro.

Tendo em vista que as elevadas taxas de incremento do Produto Interno Bruto (PIB) registradas durante os tempos da substituição de importações não mais foram igualadas, deduz-se que, no século 21, o dinamismo da economia passou a depender de ingredientes mais complexos do que os utilizados no passado, vinculados a um estilo de políticas públicas jamais implementado.

Além dos condicionantes de caráter conjuntural, tais como equilíbrio fiscal, dívida pública, inflação, taxa de juros e contas externas, as perspectivas do Brasil também dependem de fatores estruturais jamais priorizados. Refiro-me a temas como cabisbaixa qualidade da educação básica, acentuada inequidade social, insuficiente poupança interna, débil investimento em ciência e tecnologia, reduzida competitividade, raquítica capacitação profissional, burocracia pouco estimulante ao investimento privado, infraestrutura defasada etc. 

É incorreto atribuir essa crônica desatenção apenas aos sucessivos governos, mas, sim, reconhecer que, historicamente, a sociedade brasileira como um todo se absteve de reivindicar o combate aos constrangimentos estruturais ao desenvolvimento econômico e social. 

Como resultado do cenário descrito, o país encontra-se distante daqueles que lograram enfático salto em seus status econômicos há relativo pouco tempo, tais como China, Coreia do Sul e Taiwan. Em realidade, o Brasil não conseguiu inserir-se satisfatoriamente nos fluxos mais vantajosos do mercado internacional, nem forjou um mercado consumidor interno com dimensão capaz de propiciar elevadas taxas de expansão do PIB. 

Um indicador que reflete a influência dos condicionantes ao desenvolvimento é a taxa de investimento, isto é, o percentual do PIB ocupado pela formação bruta de capital fixo. O nível dessa taxa no país, de 16,8% em 2025, é inferior à média verificada mundialmente e até mesmo à da América Latina, excluído o Brasil.  

Vale destacar ainda o preocupante fato de que o investimento em ciência e tecnologia no Brasil flutua em torno de 1,13% do PIB, em contraste com, aproximadamente, 4,9% em Israel, 4,6% na Coreia do Sul e 3,5% em Taiwan. Esse ramo de atividade em nosso país vem participando com apenas pouco mais de 3,0% do investimento total, enquanto na Coreia do Sul beira a 16,0%.

Enfim, ao longo de inúmeras décadas o Brasil não aproveitou satisfatoriamente as oportunidades oferecidas pelos contextos mundial e doméstico. Como consequência, embora o avanço verificado tenha sido significativo, sua dimensão ainda permanece insuficiente para incluir o país no clube dos desenvolvidos. Quanto ao futuro, resta torcer para que a nação brasileira embarque nas próximas ondas de oportunidades que surgirem e, assim, alcance o almejado padrão de prosperidade.

 

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Por Opinião
postado em 11/06/2026 06:00
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