
O Brasil anunciou um marco civilizatório importante esta semana: a redução do desmatamento no país. Os dados divulgados pelo governo federal indicam que, no ciclo de agosto de 2025 a maio de 2026, a área total devastada totalizou 2.189 km². Isso representa redução de 37,5% em comparação ao ciclo anterior (agosto de 2024 a maio de 2025). Trata-se do menor valor da série histórica, iniciada em 2016, para o período. Especificamente para o mês de maio, a queda do desmatamento foi ainda mais significativa: 61%. As informações foram compiladas pelo Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Esse resultado é positivo considerando o apagão ambiental que transcorreu no país na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro. A administração anterior partia do falso dilema entre desenvolvimento econômico e sustentabilidade para patrocinar o desmonte da estrutura do Estado no enfrentamento de problemas graves como desmatamento, garimpo ilegal e outras barbaridades cometidas na Amazônia. Não se pode jamais esquecer: em 2022, o Brasil foi palco da trágica morte do indigenista Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips, que denunciavam a atuação do crime organizado na região.
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Faz-se necessário constatar a omissão que marcou o passado recente, mas o mais importante é olhar para o futuro. Os avanços na proteção do patrimônio ecológico nacional indicam que o Brasil está empenhado em cumprir a meta de desmatamento zero até 2030. Esse compromisso aumenta a credibilidade do país na comunidade internacional e autoriza o governo brasileiro a reiterar a urgência de nações ricas e mais poluidoras se engajarem no esforço global para que a temperatura do planeta não ultrapasse 1,5ºC.
Se há avanços importantes na Amazônia, existe um alerta em relação ao Cerrado. Em conformidade com a tendência nacional, o bioma passou por uma redução de 8,2% em relação ao ciclo anterior. No entanto, a situação permanece preocupante. Pelo terceiro ano consecutivo, o Cerrado é o bioma mais afetado pela devastação ambiental no país.
O Cerrado está presente total ou parcialmente em 13 unidades da Federação. Tem uma importância vital para a sustentabilidade. Localizado na porção central do país, tem contato com outros biomas. Marcado por alta biodiversidade, serve de corredor para répteis, anfíbios, mamíferos, aves, peixes e insetos das mais variadas espécies. Abriga as três maiores bacias hidrográficas da América do Sul: Tocantins-Araguaia, São Francisco e Prata.
Essa riqueza, entretanto, está ameaçada de forma permanente. O avanço predador da fronteira agrícola, o desmatamento e o comprometimento dos recursos hídricos, particularmente na região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), exigem uma atuação mais firme do Estado brasileiro. Essa necessidade se faz urgente considerando, inclusive, o contexto internacional. Sem avanços na preservação do Cerrado, o Brasil corre o risco de ser punido ou enfrentar dificuldades precisamente no setor mais valorizado das nossas exportações: o agro.
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