
O gol dramático saiu. E deu para sentir que o brasileiro voltou a ficar conectado com a Seleção Brasileira. O passe salvador de Bruno Guimarães para Gabriel Martinelli marcar na virada contra o Japão deixou em todos um gostinho de quero mais. Era o que faltava para a Copa do Mundo entrar de vez no cotidiano do país.
A classificação às oitavas de final representou muito mais do que uma vitória. Foi um momento de reencontro. Há alguns anos, a relação entre parte da torcida e a Seleção vinha marcada por desconfiança, frustrações e certo distanciamento emocional. O futebol continuava importante, mas já não mobilizava o país da mesma forma. E há pistas por todos os lados de que isso mudou.
Números ajudam a explicar o fenômeno. As audiências bateram recordes na televisão e no streaming. Milhões de brasileiros voltaram a organizar compromissos em função dos horários dos jogos. O assunto deixou de interessar apenas aos apaixonados por futebol e passou a ocupar espaço nas conversas do dia a dia.
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O impacto chegou também ao bolso. Dados do Índice Cielo do Varejo Ampliado mostram que bares, discotecas e casas noturnas registraram crescimento de 86,1% no faturamento durante a vitória sobre o Japão. É um número impressionante. Superior, inclusive, aos melhores resultados registrados em Copas anteriores. Quando os bares lotam e o comércio sente os efeitos positivos do torneio, existe um sinal claro de mobilização popular.
Não se trata apenas de uma classificação. Trata-se da recuperação de um sentimento coletivo. O próprio roteiro da partida ajudou. O Japão saiu na frente. O Brasil sofreu. Correu riscos. E encontrou a vitória apenas nos acréscimos. O futebol tem dessas coisas. Às vezes, um único lance vale mais para conquistar uma torcida do que uma sequência de vitórias burocráticas. Emoção cria conexão. E conexão gera engajamento.
Agora, o país volta suas atenções para o duelo contra a Noruega. Não será um jogo simples. Em Copa do Mundo, não existem adversários fáceis. Ainda mais em uma fase eliminatória. Perdeu, está fora. Mas é inegável que a atmosfera mudou. Há expectativa. Há confiança.
Sou daqueles que acreditam que a Copa do Mundo tem uma capacidade rara de unir os brasileiros. Por algumas horas, desaparecem diferenças políticas, sociais e regionais. O foco passa a ser um só. Torcer.
O Brasil ainda está longe do hexa. Há desafios técnicos pela frente. Há ajustes a serem feitos. Mas existe uma notícia que merece ser comemorada. A Seleção voltou a despertar sentimentos. E, quando o brasileiro volta a se importar com a Copa do Mundo, o torneio ganha outra dimensão.
A expectativa para a decisão contra a Noruega é enorme. Não apenas pelo que está em jogo dentro de campo. Mas porque o país sonha junto. E esse talvez seja o principal legado da campanha até aqui. Vamos seguir em frente. Sem medo da França. Temos contas a acertar com eles. Mas isso fica para depois.
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