
A desistência do ex-governador Ibaneis Rocha, do MDB, da disputa por uma das duas vagas no Senado embaralha ainda mais o cenário eleitoral no Distrito Federal. Com a ainda incerta participação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), estamos às vésperas do início das convenções partidárias e a 37 dias do início da campanha em meio a uma reorganização de chapas e apoios.
A saída de Ibaneis não é um fato isolado. Aliados falavam reservadamente que a desistência era uma questão de tempo. O emedebista é o segundo ex-governador a ter a candidatura implodida pelos desdobramentos das investigações do caso Master. Antes dele, Cláudio Castro, do Rio de Janeiro, também abriu mão da disputa ao Senado.
Diante da desistência de Ibaneis, a definição sobre o futuro de Michelle Bolsonaro torna-se o eixo central da eleição. A pressão por uma tomada de decisão sobre a candidatura da ex-primeira-dama vai atingir o limite nos próximos dias. Ela passa a ser, com certeza, a bola da vez. Líder nas sondagens eleitorais realizadas até agora, a presença dela na campanha vai ditar o ritmo do jogo. Michelle é a fiel da balança. Sua candidatura define quem tem força real e quem vai apenas figurar.
O cenário sem ela gera um redesenho completo. Abre espaço para uma disputa acirrada. A senadora Leila do Vôlei (PDT) e as deputadas federais Érika Kokay (PT) e Bia Kicis (PL) passariam a concorrer em condições muito semelhantes. O tabuleiro político ficaria totalmente fragmentado. Ninguém teria um favoritismo absoluto.
Essa incerteza já movimenta os bastidores da capital federal. Estrategistas partidários trabalham com cenários alternativos. Caso Michelle decida não concorrer, a mudança será generalizada. Existe a real possibilidade de pré-candidatos ao governo do Distrito Federal recuarem. Há pelo menos dois nomes que avaliam abandonar a corrida pelo Palácio do Buriti para tentar uma vaga no Congresso. O Senado viraria um espécie de porto seguro mais acessível.
Tudo isso ocorre sob a sombra do Supremo Tribunal Federal. A investigação do caso Master-BRB está longe do fim. Novos desdobramentos ao longo dos próximos meses não são apenas prováveis. São previsíveis. A rigor, ninguém consegue cravar ainda a extensão dos danos. O impacto eleitoral dessa apuração ainda é uma grande incógnita.
A política do Distrito Federal vive dias agitados. O eleitor assiste a acordos sendo desfeitos antes mesmo de virarem realidade. É preciso acompanhar cada movimento com atenção redobrada. As urnas de outubro serão moldadas pelo que acontece agora nos tribunais e nas salas fechadas dos partidos. O DF merece um debate centrado em propostas concretas, e não um espetáculo de sobrevivência jurídica.
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