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O mundo cabe aqui

Para o Correio, é uma honra contar sobre as parcerias e projetos do Brasil e de Brasília com as embaixadas.

Brasília é sede dos Poderes da República, o lar de gerações nascidas aqui, o porto que acolheu e segue acolhendo muitos migrantes. Mas a capital também é anfitriã do mundo. Abriga as embaixadas dos outros países, que além do ofício diplomático, proporcionam cultura do mais alto nível.

São muitas as histórias, as visitas e os projetos de intercâmbio cultural que temos com muitos países que têm representação diplomática aqui. O Correio Braziliense, desde a sua criação, registra essa troca. No nosso centro de documentação, temos arquivos valiosos, que mostram visitas de autoridades, de nobres e de muitos artistas e intelectuais, que estiveram na capital, muitos no passado a convite de Juscelino Kubitschek, que tinha obsessão em fazer de Brasília um símbolo do desenvolvimento do Brasil.

Muitos desses registros são, por exemplo, da presença de franceses ilustres. No próximo dia 14, a França celebra a Tomada da Bastilha, uma revolta importantíssima que simboliza a luta contra a tirania da monarquia absolutista francesa e marca o período conhecido como Revolução Francesa. Para celebrar a data, o Correio e a Embaixada da França publicam o caderno especial França-Brasil - Memórias de Encontros Culturais, que reconstitui as visitas de grandes artistas, escritores e pensadores franceses a Brasília, desde a fundação da cidade até o período mais recente. Não só as visitas, mas a história de integração dos dois países.

Escrito e editado por Severino Francisco, o projeto teve a curadoria e edição de pesquisa de Cilene Vieira, gestora do Centro de Documentação (Cedoc), e pesquisa de Mauro Ribeiro da Silva e Francisco Lima, "garimpeiros" oficiais das preciosidades da nossa memória impressa e digital. O caderno nos leva de volta a 1959, quando antes mesmo da inauguração, JK recebeu André Malraux, um dos maiores intelectuais e políticos franceses do século 20, na época Ministro da Cultura da França, que proferiu um discurso histórico sobre a ousadia arquitetônica da cidade, comparando-a a Grécia e cunhando o slogan "Capital da Esperança".

Nesse período inicial, também houve a visita do casal de filósofos Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir — esta saiu "decepcionada" com a organização em excesso e chegou a duvidar que um dia a cidade tivesse alma. Há passagens deliciosas, como a do astro francês Jean-Paul Belmondo que veio a Brasília para filmar parte do clássico O Homem do Rio e a do lendário Charles Aznavour, que gravou a música Rendez-vous à Brasília. Ainda na seara musical, o caderno relembra a passagem do maestro e compositor Michel Legrand, fascinado por Bossa Nova, que fez um concerto na Torre de TV, ao ar livre, bem ao estilo da capital.

Enfim, o caderno é um passeio pelas relações entre Brasil-França, por meio dos registros memoriais do Correio. Para nós, é uma honra contar sobre as parcerias e projetos do Brasil e de Brasília com as embaixadas.

Recentemente, também estive na Embaixada da Suíça, em um evento de celebração da relação entre os dois países. Conheci a parceria da Embaixada com a associação Comissão Solidária, do bairro histórico da Vila da Barca, na periferia de Belém. Iniciada em abril de 2025 com o projeto Roteiro Cozinha Periférica, a colaboração formou mulheres da comunidade em gastronomia amazônica e, posteriormente, levou o grupo a assumir o catering das atividades oficiais da Suíça durante a COP30. Comida deliciosa, conversa incrível e uma recepção calorosa dos suíços. Brasília sendo Brasília desde sempre: uma casa de encontros memoráveis.

 

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