
O algoritmo gosta de me mandar notícias porque, talvez, assim eu o tenha domesticado. Minha insistência em ser jornalista em tempo integral já me trouxe muita satisfação e resultado, mas, às vezes, eu me sinto bombardeada. O meio é mais veloz do que o fato, e ainda assim tem fato que já chega velho. Estranho mundo este, que nos obriga a correr na frente e, ainda assim, nos força a olhar para trás.
Na literatura chamam de plot twist aquele momento essencial de virada da história. Acho que vivemos nos últimos dias nesse estado de tensão permanente, com vários picos virais sucessivos. Brasil mal entrou em campo e a Venezuela tremeu, com muitas perdas e estragos. Alegria e tristeza sem exatas medidas, tudo ao mesmo tempo, junto e misturado.
O fenômeno CazéTV e sua propaganda ostensiva de bets, incorporada à transmissão e aos comentários, rasgaram o algoritmo e nos inundaram com debates, reflexões, campanhas e justificativas de legalidade pouco convincentes diante do número astronômico de prejuízo que as apostas legais estão roubando da economia das famílias, fora o nível de adoecimento mental. O que fica é que lei não regula a vida, a ética e, sobretudo, a reputação.
Na política, dois fatos fundamentais sacudiram o enredo, que já não andava previsível, das eleições: o líder do governo, Jaques Wagner, envolvido no caso Master, mostra o quão largo e forte pode ser o abraço desse escândalo. A pergunta é sempre de futuro: o que mais falta aparecer? Até que ponto vai interferir nas eleições? Os investigadores terão força e autonomia para desenrolar esse fio até que todos os nós tenham sido desfeitos?
Por fim, os vídeos tão analisados, em cada pormenor, de Michelle Bolsonaro azedando o angu de Flávio Bolsonaro, pregando desta vez não a submissão e a obediência das mulheres aos seus homens, mas deixando (mais) claro o quão tóxico é o relacionamento íntimo com o possível herdeiro político do pai. A interpretação foi distinta, ora pela semiótica, ora pela política, ora pelo feminismo. Mas a aposta é que o resultado atinge a campanha da direita.
Amanhã teremos Brasil em campo contra um Japão bem diferente dos últimos mundiais. Precisaremos ter mais que borogodó e bom jogo. Eu já entendi que tudo pode acontecer, nada está tão previsível quanto antes. Mas eu vou tentar pausar para assistir, e tentar apenas fazer isso naquele momento.
As redes sociais ditam a velocidade, ao mesmo tempo em que nos convidam a parar. Uma amiga me encaminhou um vídeo bonito do Daniel Munduruku, no qual ele diz: "É tempo de correr atrás do tempo, porque aqui se diz que tempo é dinheiro, e nós estamos correndo o tempo todo atrás do tempo, para quem sabe um dia a gente possa ter tempo para gastar o tempo que nunca tivemos…". Bom jogo da vida para nós. Já pensa em como está investindo seu tempo.

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