
O Ministério da Educação e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgaram, na semana passada, um diagnóstico da qualidade do ensino no país. Os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) mostram avanços nos anos iniciais e finais do ensino fundamental, bem como no ensino médio. O governo federal ressaltou que o desempenho obtido na análise do biênio 2023-2025 é o melhor já registrado da série histórica, iniciada em 2007. De fato, os números indicam pontos positivos. Mas apontam ainda desafios a serem vencidos em sala de aula.
Ressalte-se, no balanço do Ideb, a melhora significativa nos anos iniciais do ensino fundamental. Nesse período, que corresponde do 1º ao 5º ano, o índice passou de 5,7 para 6,1 na rede pública de ensino e mostrou uma clara evolução em relação a 2023. Nesse sentido, convém destacar o esforço desempenhado pelas redes municipais, responsáveis pela maior parte das escolas que atuam na alfabetização e no primeiro contato de crianças com o universo da educação.
É a partir dos anos finais (6º ao 9º) do ensino fundamental, contudo, que a equação começa a se complicar. Nessa etapa do ensino, também houve avanços, mas a média segue abaixo da meta nacional estabelecida pelo MEC. Na rede pública, o Ideb subiu de 4,7 para 5, mostrando uma evolução de 0,3 ponto. Ainda assim, o Brasil ficou abaixo do patamar previsto de 5,3. Como se vê, essa fase do ensino se encontra em nível inferior ao parâmetro considerado adequado para os países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
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No ensino médio, a defasagem é ainda maior. O Ideb alcançado no ciclo 2023-2025 ficou em 4,3 na rede pública, melhor do que os 4,1 registrados anteriormente, mas muito distante do 5,2 estabelecido para esse estágio da vida escolar. Com dificuldades históricas como evasão, falta de professores e inadequação com a realidade do jovem, o ensino médio constitui seguramente o maior desafio para as autoridades em educação.
Em um país tão desigual e diverso como o Brasil, são previsíveis as diferenças de desempenho entre as unidades da Federação. Na análise dos resultados, convém destacar o sucesso da política educacional do Paraná, que ocupou o primeiro lugar em todas as etapas do ensino, colocando-se como referência ao lado de outras ilhas de excelência, como o Ceará. Em compensação, há situações delicadas em estados como Rio Grande do Norte, Roraima, Rio de Janeiro — e o Distrito Federal. Ontem, a governadora Celina Leão anunciou a troca de titular na secretaria de Educação, após o desempenho abaixo da média registrado na capital da República.
Apesar das dificuldades, os resultados gerais do Ideb são inegavelmente positivos, principalmente considerando a calamidade provocada pela pandemia de covid-19. É o que ressaltou o ministro da Educação, Leonardo Barchini. "Os organismos internacionais apontavam que o Brasil demoraria de 10 a 13 anos para conseguir voltar aos níveis pré-pandemia. E o que os resultados do Ideb mostram é que a gente conseguiu em quatro anos", disse.
O diagnóstico indica que melhorar a aprendizagem deve ser a meta central para o futuro do ensino no Brasil. Nesse sentido, é fundamental observar as condições de ensino nos anos finais do ciclo fundamental e particularmente no ensino médio — a etapa mais vulnerável nos indicadores educacionais. Políticas públicas consistentes passam necessariamente pela valorização dos professores, entre outras medidas, e uma política de ensino que estimule o aluno a adquirir conhecimento, e não simplesmente observar uma sequência de conteúdos em sala de aula.

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