ELEIÇÕES

O horário eleitoral ainda faz diferença para decidir o voto?

Com eleitores cansados da polarização digital, marqueteiros apostam no retorno forte da propaganda tradicional a 44 dias de os brasileiros irem às urnas

O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro -  (crédito: Antonio Augusto/TSE)
O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro - (crédito: Antonio Augusto/TSE)

Daqui a exatamente uma semana começa o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão. Além dos programas tradicionais, exibidos na hora do almoço e no jantar, entram no ar as inserções de 30 e 60 segundos espalhadas pela programação das emissoras. Neste ano, porém, a corrida presidencial chega a essa etapa com uma movimentação interessante nos bastidores: a troca de marqueteiros. Na terça-feira, Ronaldo Caiado e Augusto Cury mudaram o comando das campanhas, como Flávio Bolsonaro fez cerca de um mês atrás.

Ao mesmo tempo, o horário eleitoral vai começar em meio a um ambiente digital cada vez mais desgastado. Informações falsas, robôs e sequência de ataques e xingamentos nas redes levantam uma questão que ganha força entre marqueteiros e especialistas em eleições: até onde essas plataformas ainda conseguem influenciar a disputa pelo Planalto?

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A percepção entre profissionais que trabalham nas campanhas é de que parte do eleitorado está cansada do ambiente polarizado nas redes. Isso abre espaço para o rádio e a TV, sobretudo para as inserções de poucos segundos que aparecem ao longo da programação e alcançam um público que não costuma dar muita atenção ao que é tendência nas plataformas.

Isso não significa que o digital vá perder importância. O dinheiro continuará chegando. As campanhas ainda terão de disputar espaço nos sites de busca, conquistar audiência para transmissões ao vivo e produzir conteúdo próprio. Mas, se o eleitor estiver realmente saturado do confronto permanente nas redes, concentrar boa parte da estratégia nesse ambiente corre o risco de se tornar um problema, sem tempo de correção de rumo. Afinal, vamos às urnas daqui a 44 dias.

Nesse cenário, o TikTok merece atenção. Em 2026, a plataforma tem chances de assumir um papel parecido com o que o WhatsApp teve em 2018. Naquela eleição, quem percebeu mais cedo o potencial do aplicativo conseguiu explorar uma ferramenta que ainda era pouco utilizada pelas campanhas. Agora, conversas com assessores de candidatos que atuam no Distrito Federal indicam que o TikTok estará entre os principais campos de disputa, já que é cada vez mais visto como fonte de informação por públicos de diferentes idades.

Outro ponto também que está no radar das campanhas é como tratar a corrupção. A tendência é que os candidatos evitem, sempre que possível, partir para ataques diretos aos adversários. Esse papel deve ser exercido por influenciadores e parlamentares aliados, deixando os presidenciáveis menos expostos ao confronto.

A estratégia ganha importância diante de dois assuntos que ameaçam o discurso das duas principais campanhas ao Planalto: os desdobramentos dos casos envolvendo o Banco Master e os descontos de empréstimos consignados do INSS. Os dois temas têm potencial para entrar no discurso eleitoral e devem exigir dos marqueteiros uma escolha cuidadosa sobre o momento e o porta-voz de cada ataque.

Atrair a atenção e o voto do eleitor é o que todos querem. A forma, no entanto, deve ser bem diferente das eleições anteriores. As respostas começarão a chegar a partir da semana que vem.

 


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postado em 21/08/2026 06:04
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