Visão do Correio

Hora de avaliar os candidatos

Com o início oficial da campanha, eleitor deve analisar propostas, trajetórias e compromissos antes de decidir o voto

A partir de hoje, o Brasil entra oficialmente em período eleitoral. De acordo com as resoluções do Tribunal Superior Eleitoral, está autorizada a realização de comícios e de outros atos de campanha pelo país. Também estão permitidas ações no ambiente digital, uma das principais arenas do debate político. Os candidatos poderão, ainda, realizar lives e divulgar propaganda eleitoral na internet. Por fim, as regras eleitorais preveem a inserção de mensagens dos candidatos no rádio, na TV e nos veículos impressos.

A fase mais ativa da campanha eleitoral vem na sequência da definição das candidaturas, que teve o prazo encerrado ontem. As legendas partidárias tiveram aproximadamente cinco meses para definir os candidatos, bem como formalizar alianças.

A etapa a seguir é de suma importância, pois representa a oportunidade para o eleitor formar a convicção a respeito dos postulantes a cargo público. Considerando a realidade brasileira, não se trata de empreendimento trivial. Pesquisa do instituto Datafolha, publicada em junho último, revelou que dois em cada três eleitores não lembram em quem votaram para senador, deputado federal ou deputado estadual em 2022. Mais grave: 68% dos eleitores foram incapazes de citar um só nome de representante na Câmara dos Deputados. No caso do Senado, o distanciamento é ainda maior: 75% dos entrevistados não sabiam nomear um único senador.

Trata-se de evidente comprovação dos problemas enfrentados pela democracia representativa no Brasil. Pode-se dizer, sem exagero, que o sistema político enfrenta um divórcio entre eleitos e eleitores, apesar do voto obrigatório e de uma conta astronômica para evitar esse paradoxo. O Fundo Eleitoral de 2026 chega a R$ 4,9 bilhões, quantia monumental para estimular o debate político no Brasil, ou, como cinicamente alegam alguns, assegurar o "custo da democracia".

Via de regra, o tal debate político está restrito à miséria da polarização ou a personalidades outrora obscuras que, graças a alguma projeção nas redes sociais, ganharam notoriedade e possivelmente um cargo público.

A democracia brasileira é valiosa demais para ser tratada dessa forma. Iniciada a campanha eleitoral, é hora de examinar atentamente a conduta dos postulantes às urnas. Não faltam critérios para avaliar a seriedade de quem pretende exercer a vida pública. Basta observar o que acontece com as contas domésticas, com a segurança pública, com a qualidade da educação, com os preços no supermercado. Basta enxergar o estado da assistência aos mais vulneráveis, o combate ao preconceito e à discriminação. E saber o que o ilustre candidato tem a dizer a respeito.

A política é a atividade que permite à sociedade se mobilizar em busca de conquistas. E o voto é o instrumento adequado para dar voz aos anseios e às queixas do cidadão. A partir deste domingo, o brasileiro tem o dever de refletir sobre as escolhas que fará em 4 de outubro. O que for registrado na urna terá desdobramentos por, no mínimo, quatro anos, quando não para as futuras gerações. Trata-se de um chamado para a responsabilidade.

Chegou a hora de retribuir ao país tudo o que ele nos oferece, além de impedir que poderosos imponham seus interesses particulares acima dos interesses da nação. Nesse exercício de cidadania, é fundamental aplicar o senso crítico sobre os candidatos. Esse rigor vale tanto para os obcecados em se perpetuar no poder quanto para os neófitos. Os primeiros vendem a ilusão de serem os mais preparados, mas carregam, muitas vezes, um passivo político que impede avanços significativos para o país. Os segundos se dizem inovadores e revolucionários, porém representam apenas velhas oligarquias, ou servem apenas para amplificar discurso do ódio sob o suposto manto da liberdade de expressão.

A campanha eleitoral começou. É o período para escolher aqueles que pretendem trabalhar por um Brasil mais desenvolvido e inclusivo. Que vençam os melhores.

Mais Lidas