
Na última quinta-feira, o Ministério da Saúde requereu à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) a inclusão das canetas emagrecedoras (GLP-1) no rol de medicamentos ofertados pelo SUS. Como justificativa, a pasta alegou o crescimento acelerado de brasileiros com sobrepeso e obesidade.
Os números são preocupantes. Em um intervalo de 18 anos, o contingente de adultos com obesidade mais do que duplicou. Passou de 11,8% em 2006 para 25,7% em 2024. Segundo o Ministério da Saúde, esse problema de saúde pública exigirá acompanhamento médico e tratamento por longos períodos, com impactos na redução da mortalidade, na qualidade de vida dos pacientes e nos gastos do sistema de saúde.
Fique por dentro das notícias que importam para você!
Em relação ao excesso de peso, o sistema Vigitel também identificou uma tendência de alta. O percentual de adultos nessa condição aumentou de 42,6% em 2006 para 62,6% em 2024. Ainda segundo os dados levantados pelo governo federal, houve um aumento nos casos de diabetes. A proporção de adultos com diagnóstico médico autorreferido (quando o paciente informa a condição com base no que ouviu de um profissional de saúde) subiu de 5,5% em 2006 para 12,9% em 2024.
Ao pedir a inclusão das canetas emagrecedoras no SUS, o Ministério da Saúde busca enfrentar um problema que atinge, portanto, uma enorme parcela da população brasileira. E não se pode falar em combate à obesidade sem considerar os aspectos econômicos. O excesso de peso está diretamente ligado à alimentação de má qualidade, com alto consumo de produtos ultraprocessados. Estimular hábitos alimentares saudáveis é uma parte do trabalho a ser feito, especialmente em um contexto em que a inflação dos alimentos ainda pesa no orçamento doméstico. E o remédio para esse mal também é caro. Até pouco tempo, era comum canetas emagrecedoras custarem mais de R$ 2 mil.
Em agosto, a Conitec havia recomendado a não inclusão da liraglutida e da semaglutida, princípios ativos de medicamentos agonistas, no sistema público de saúde. O argumento era o impacto financeiro no orçamento do SUS —aproximadamente R$ 8 bilhões anuais.
Desta vez, o Ministério da Saúde observa uma redução de até 70% no preço desses produtos, além do desenvolvimento de similares nacionais, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). "Até o momento, 25 canetas emagrecedoras já foram registradas no país, sendo 14 delas em 2026, fruto direto da estratégia de fomento do Ministério e da Anvisa, incluindo versões produzidas nacionalmente e medicamentos genéricos. E novos registros ainda são esperados. A ampliação da concorrência fez do Brasil o país com a maior variedade do produto no mundo e derrubou os preços no varejo", informou a pasta no requerimento da última quinta-feira. O Ministério da Saúde ressalta que a inclusão das canetas emagrecedoras no SUS virá acompanhada de uma seleção criteriosa de pacientes com indicação médica para esses medicamentos.
Preservar a saúde pública exige regulamentação responsável e uma política que auxilie, sobretudo, a população mais vulnerável. Assim como ocorreu com a vacinação no pandemia de covid-19, o governo tem papel fundamental na implementação de ações que ampliem o acesso à saúde, um direito constitucional. Havendo responsabilidade orçamentária, contratos firmados dentro da lei e acompanhamento médico rigoroso a pacientes com sobrepeso e obesidade, a popularização das canetas emagrecedoras pode se tornar mais uma ação bem-sucedida do SUS.
Saiba Mais
Opinião
Opinião
Opinião