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A fé no voto

Convivo com católicos, evangélicos, praticantes de religiões de matriz africana e de outras manifestações de fé. Todos querem o mesmo: o direito de escolha e de livre expressão da sua fé

Tanto barulho só existe porque somos livres para gritar nossas escolhas -  (crédito: caio gomez)
Tanto barulho só existe porque somos livres para gritar nossas escolhas - (crédito: caio gomez)

Os debates estão acalorados, eu sei. Ouço e vejo o brandir das massas empunhando ideias e bandeiras como se tivessem protegendo a própria vida. De certa forma, estão. Defendem seu jeito de pensar, de existir e de se opor ao que não acreditam. Sei que, mesmo com esse barulho ensurdecedor, é preciso escutar um chamado maior. O mais importante deles é o grito de socorro da democracia. Tanto barulho só existe porque somos livres para gritar nossas escolhas. A quem pedimos quando todas as conquistas das últimas décadas são ameaçadas? Eu tenho incondicionalmente fé em Deus. Mas também tenho fé no voto. 

Quando vejo a fé romper o silêncio para pedir pela democracia e ser abruptamente silenciada, penso que estamos em outro estágio da civilização: a barbárie não poupa nem santos, que dirá a boa palavra. O que os bispos disseram de tão grave? Pediram pelo voto consciente, destacando pontos importantes, como a defesa da soberania, e alertando sobre a manipulação da fé. A meu ver, a CNBB ocupou lindamente o dever de informar aos cristãos. Ainda lançou um manifesto, em que diz: "A democracia é o chão comum onde nossas diferenças podem existir sem medo". A palavra ecoou mesmo diante da resistência imposta pelo poder dos que controlam algoritmos. Sabe por quê? Porque a verdade sempre encontra um caminho. Isso é obra de Deus, mas também dos humanos conscientes.

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O post do manifesto diz assim: "Em um país marcado pela diversidade de crenças, tradições e formas de viver a fé, o diálogo é fundamental para construir uma sociedade em que cada pessoa tenha respeitado o direito de crer, não crer e viver com dignidade. Diante da intolerância religiosa, do racismo religioso e da desinformação, somos chamados a fortalecer valores como o respeito, a liberdade, o diálogo e a busca pelo bem comum". Parece fácil de assimilar, mas os que usam a fé para orquestrar o poder não conseguem engolir.

Convivo com católicos, evangélicos, praticantes de religiões de matriz africana e de outras manifestações de fé. Todos querem o mesmo: o direito de escolha e de livre expressão da sua fé. Não merecem ser enganados e roubados, como acontece em alguns templos escusos, que, na verdade, são fachadas para crimes e para a opressão de fiéis.

No sentido bíblico, a dignidade é o valor sagrado e a honra que cada ser humano possui por ter sido criado à imagem e semelhança de Deus. Está no livro sagrado. A dignidade não depende de riquezas, é um dom divino dado a todas as pessoas. Basta uma busca no Google para saber. A Bíblia professa ensinamentos, e a Constituição elenca direitos fundamentais, dignos e sagrados. São complementares para a nossa salvação e proteção.

Não precisamos pensar igual, podemos ter crenças diferentes e praticar rituais tão diversos como o país continental e miscigenado que somos. Podemos até não ter a fé religiosa e viver longe de todas as suas manifestações. Mas a fé na democracia deveria ser soberana, pois é o único espaço onde se celebra o respeito à diversidade, a abertura ao diálogo, à convivência pacífica com quem não necessariamente vive sob a mesma cartilha que nós. 

 

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postado em 27/09/2026 05:00
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