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A Aliança Global e o caminho para alcançar a Agenda 2030

É necessário ampliar a escala daquilo que já demonstrou funcionar: políticas sociais, alimentação escolar, apoio a pequenos produtores, inclusão econômica e resiliência diante das mudanças climáticas

Wellington Dias — ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome do Brasil; José Manuel Albares — ministro dos Assuntos Exteriores, União Europeia e Cooperação do Governo de Espanha 

Faltam apenas quatro anos para alcançarmos os compromissos estabelecidos na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. O tempo é curto, e o desafio, imenso. Das 139 metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) para as quais há dados disponíveis sobre tendências, apenas 36% estão no caminho certo ou apresentam avanços moderados, segundo as Nações Unidas. Existe um risco real de chegarmos a 2030 sem termos cumprido uma parcela significativa do que foi acordado pelos 193 Estados-membros das Nações Unidas.

Mas os últimos anos também deixam uma importante mensagem de esperança: é possível avançar. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a fome no mundo diminuiu de 733 milhões de pessoas em 2023 para 645 milhões em 2025. A evolução da pobreza demonstra que avanços sustentados podem transformar a realidade no longo prazo. Segundo o Banco Mundial, desde 1990, o número de pessoas que vivem em situação de extrema pobreza caiu mais de 60%, e cerca de 1,5 bilhão de pessoas saíram dessa condição em uma geração.

A fome e a pobreza não são inevitáveis. Quando há vontade política e financiamento adequado, podemos transformar a vida de milhões de pessoas. O desafio dos próximos quatro anos é acelerar esses avanços e fazer com que eles também alcancem aqueles que ainda estão ficando para trás.

Sabemos que o atual cenário mundial apresenta dificuldades: a escalada dos conflitos, as mudanças climáticas, o enfraquecimento do multilateralismo e a redução da ajuda oficial ao desenvolvimento afetam de maneira desproporcional as populações mais vulneráveis. Estima-se que mais de 45 milhões de pessoas adicionais possam ser empurradas para uma situação de fome aguda em consequência dos impactos econômicos de uma guerra prolongada no Oriente Médio.

Cada um desses desafios é uma razão para nos unirmos e redobrarmos os esforços. Precisamos ir além de iniciativas isoladas e de um financiamento fragmentado. É necessário ampliar a escala daquilo que já demonstrou funcionar: políticas sociais, alimentação escolar, apoio a pequenos produtores, inclusão econômica e resiliência diante das mudanças climáticas. Esse é precisamente o objetivo da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza.

E não podemos erradicar a fome e a pobreza sem avançar na igualdade de gênero. As mulheres desempenham um papel fundamental nos sistemas alimentares, na agricultura familiar e na sustentação de suas comunidades, mas continuam enfrentando barreiras no acesso a recursos, financiamento, terra, proteção social e oportunidades econômicas. A igualdade de gênero deve estar incorporada desde a formulação das políticas, fortalecendo a autonomia econômica das mulheres, seu acesso a recursos e sua participação efetiva nos processos de decisão.

A Aliança oferece um modelo inovador de cooperação que coordena esforços para apoiar, em larga escala, políticas públicas eficazes e lideradas pelos países. Desde seu lançamento, durante a presidência brasileira do G20, em 2024, tem ampliado sua capacidade de mobilização. Em 19 países, já apoia programas nacionais de grande escala em diferentes etapas de preparação e implementação, de acordo com as prioridades definidas por cada governo. Entre eles, estão programas de produção pecuária na Etiópia e programas de proteção social e de transferência de renda na Zâmbia, para citar alguns exemplos.

Com essa determinação e esse senso de urgência, durante um evento paralelo à 81ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, Brasil e Espanha, como copresidentes da Aliança Global, reunimos governos e parceiros para debater formas de acelerar o combate à fome e à pobreza nos quatro anos que restam até 2030.

É necessário aumentar o investimento em políticas integradas e em alianças capazes de conectar as prioridades de cada país ao apoio internacional, assim como fortalecer os mecanismos de financiamento que permitam preservar os avanços alcançados.

Os próximos quatro anos serão decisivos. A fome não é consequência da falta de alimentos, mas da desigualdade, da exclusão e das decisões políticas. Chegarmos a 2030 com resultados significativos dependerá das decisões que tomarmos agora e da ação que a Aliança já está colocando em prática.

 

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