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O dinheiro da educação precisa chegar à aprendizagem

Saber quanto foi investido é essencial. Também precisamos saber o que esse investimento permitiu realizar, quem foi atendido e quais dificuldades permanecem.

. -  (crédito:  Manuela Cavadas)
. - (crédito: Manuela Cavadas)

Hélio Laranjeira — professor


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Uma política educacional só se realiza quando chega ao estudante. Entre o anúncio de um programa e a aprendizagem, existe um caminho que precisa funcionar: planejamento, financiamento, profissionais preparados, materiais adequados e acompanhamento. Quando uma dessas etapas falha, o país pode gastar e continuar entregando menos do que seus alunos precisam.

Precisamos mudar a forma de discutir educação. Saber quanto foi investido é essencial. Também precisamos saber o que esse investimento permitiu realizar, quem foi atendido e quais dificuldades permanecem. Uma escola construída precisa funcionar. Um livro comprado precisa chegar e ser utilizado. Uma matrícula precisa abrir uma trajetória de formação.

O Brasil avançou na alfabetização: segundo o Inep, 66% dos estudantes alcançaram o padrão nacional ao final do segundo ano em 2025. Ainda assim, aproximadamente um terço ficou abaixo desse patamar. Cada criança que segue sem apoio carrega uma dificuldade que pode crescer nas etapas seguintes. Precisamos organizar a escola para perceber esse problema a tempo e agir.

Isso começa por dar condições ao professor. Formação continuada precisa ajudá-lo a enfrentar o que acontece na turma. Tempo de planejamento, materiais utilizáveis, coordenação pedagógica e apoio especializado fazem parte da entrega. Cobrar resultados sem oferecer essas condições transfere ao profissional uma responsabilidade que pertence ao sistema inteiro.

No ensino médio, permanecer na escola precisa abrir perspectivas. O jovem deve encontrar formação geral sólida, orientação e oportunidades de educação profissional. Quem trabalha precisa de percursos compatíveis com sua vida. A educação técnica deve alcançar mais municípios e utilizar melhor a capacidade existente, com prática, qualidade e conexão com oportunidades reais.

Na universidade, precisamos acompanhar os caminhos interrompidos. Entrada, permanência e conclusão fazem parte da mesma responsabilidade. O estudante precisa de orientação e apoio; a instituição precisa examinar seus percursos e resultados. Pesquisa e extensão também merecem financiamento previsível e avaliação adequada. O conhecimento científico tem valor, inclusive quando seus efeitos exigem tempo para aparecer.

O desperdício precisa ser enfrentado com precisão. Há perda quando materiais são desviados, equipamentos ficam sem uso, estruturas permanecem ociosas ou contratos entregam menos do que prometem. Mas insuficiência de recursos também compromete a educação. Cortar manutenção e apoio pedagógico pode deteriorar um investimento já realizado. Uma reforma séria precisa distinguir essas situações.

O livro didático ilustra essa responsabilidade. Precisamos conhecer a demanda, confirmar a entrega, acompanhar estoques e remanejar excedentes. Há materiais reutilizáveis e outros feitos para que o aluno escreva. A economia deve preservar a finalidade pedagógica. Uma compra barata que não atende ao estudante pode custar mais ao país.

O mesmo cuidado vale para obras e tecnologia. Antes de construir, é preciso demonstrar demanda e assegurar funcionamento. Antes de contratar uma plataforma, é preciso definir a necessidade, preparar os usuários e avaliar o resultado. Existem oportunidades de alcançar mais pessoas com laboratórios compartilhados, novos turnos e cooperação entre instituições públicas e privadas habilitadas.

Essa mudança exige dirigentes competentes e responsabilidades claras. Um ministro técnico precisa de respaldo político; um ministro político precisa de uma equipe técnica com autoridade para executar. Estados, municípios e instituições devem participar da construção e assumir compromissos verificáveis. Convicções pessoais e representação sindical são direitos; a gestão educacional deve se orientar pelo interesse dos estudantes.

Não há transformação nacional baseada apenas na promessa de recuperar desperdícios. Precisamos medir perdas, corrigir processos e garantir financiamento suficiente e previsível. Também precisamos preservar iniciativas que demonstram resultados, independentemente de quem as criou.

O debate pode começar com uma pergunta concreta: o que precisamos mudar para que o recurso destinado à educação vire uma oportunidade real de aprender? A resposta exige trabalho, avaliação e continuidade. Cada estudante que avança mostra por que vale a pena fazer essa mudança.

 

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Por Opinião
postado em 20/10/2026 05:00
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