
O Brasil tem uma das maiores biodiversidades do planeta, uma riqueza natural extraordinária que representa também uma vantagem comparativa para o desenvolvimento econômico. Transformar esse patrimônio biológico em inovação, produtos de maior valor agregado, empregos qualificados e novas oportunidades de negócios, depende de um agente fundamental e insubstituível: a indústria.
Essa reflexão ganha ainda mais relevância e urgência com a realização da 17ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP17), em andamento, na Armênia. O encontro internacional tem como prioridades centrais a implementação efetiva do Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, o financiamento da conservação ambiental, o uso sustentável dos recursos naturais e a repartição justa e equitativa dos benefícios decorrentes do aproveitamento da biodiversidade. O Brasil chega a esse debate reunindo atributos singulares: megadiversidade biológica, forte capacidade científica, indústria inovadora e uma sólida experiência regulatória na utilização sustentável do patrimônio genético.
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O setor brasileiro de beleza e cuidados pessoais exemplifica esse potencial. Responsável por 2% do PIB nacional, a indústria investe continuamente em pesquisa e desenvolvimento, transformando ingredientes naturais e conhecimentos em produtos de alta tecnologia presentes no cotidiano de milhões de pessoas. Em 2025, o setor alcançou um recorde histórico de US$ 1,061 bilhão em exportações, o que representa um crescimento de 20,1% em relação ao ano anterior, comercializando produtos de alta qualidade para 189 países.
Uma das maiores oportunidades para o país reside justamente na biodiversidade. O desenvolvimento de ingredientes inovadores a partir de espécies nativas brasileiras tem o poder de ampliar a participação do Brasil nas cadeias globais, tanto pela exportação de produtos acabados de alto valor agregado quanto pelo fornecimento de ingredientes e soluções biotecnológicas para indústrias de diversos continentes. Trata-se de uma oportunidade de agregar valor ao patrimônio natural brasileiro, exportando conhecimento, ciência e tecnologia, em vez de limitar a nossa inserção internacional ao mero fornecimento de matérias-primas brutas.
A bioeconomia, afinal, não consiste simplesmente na extração de recursos naturais. O verdadeiro potencial está fundamentado na pesquisa científica, no desenvolvimento tecnológico e na capacidade de transformar as propriedades de nossa biodiversidade em soluções que atendam às necessidades da sociedade. No setor de beleza e cuidados pessoais, essa inovação permanente conecta-se ao conceito de cuidado integral defendido pela ABIHPEC.
A biodiversidade, quando associada à ciência e à tecnologia, amplia as possibilidades de oferecer ao mercado produtos cada vez mais eficazes, seguros e sustentáveis, fortalecendo cadeias produtivas locais, gerando renda para comunidades e criando incentivos econômicos e concretos para a conservação ambiental. Nesse contexto global, o Brasil dispõe de um diferencial da maior relevância. A Lei nº 13.123/2015 colocou o país na vanguarda internacional ao estabelecer um modelo equilibrado que concilia a utilização econômica sustentável da biodiversidade com a repartição de benefícios e a geração de recursos para a sua própria conservação.
Os três pilares da Convenção sobre Diversidade Biológica — conservação, uso sustentável e repartição justa de benefícios — encontram na atividade industrial uma força de implementação indispensável. Sem pesquisa científica, não há novos conhecimentos. Sem inovação, não surgem novos produtos. E, sem uma atividade econômica baseada na biodiversidade, não se concretizam as oportunidades reais de repartição dos benefícios decorrentes dessa riqueza.
O Brasil reúne todas as condições necessárias para liderar a bioeconomia global baseada em ciência, inovação e alta agregação de valor. Para que isso se concretize, precisamos consolidar ambientes regulatórios e criar instrumentos eficientes de incentivo ao investimento privado. Conservar a biodiversidade e gerar desenvolvimento econômico sustentável são objetivos perfeitamente complementares, e a indústria brasileira está pronta para fazer ambos avançarem juntos.
Opinião
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