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As jogadas ensaiadas de Lula

O futebol ajudou o petista a protagonizar a virada inédita contra Flávio Bolsonaro por um motivo: o político de 81 anos domina a linguagem de boleiro

. -  (crédito: Ricardo Stuckert / PR)
. - (crédito: Ricardo Stuckert / PR)

Luiz Inácio Lula da Silva está legitimamente eleito para o quarto mandato de presidente da República. Em vez de atrapalhá-lo, o futebol ajudou o petista a protagonizar a virada inédita contra Flávio Bolsonaro por um motivo: o político de 81 anos domina a linguagem de boleiro. As metáforas o aproximam do eleitor. 

No ato em Belo Horizonte no segundo turno, Lula convocou a torcida do Atlético-MG a jogar com ele. Cirúrgico, usou o palanque para atrair o mantra da Massa nas viradas do Galo contra o Corinthians e o Flamengo na Copa do Brasil de 2014. Convocou os alvinegros a gritar: “Eu acredito”. 

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Nos bastidores, Lula sinalizou mais de uma vez, via Caixa Econômica Federal, a possibilidade de tornar a via crúcis do Corinthians mais leve no pagamento dos boletos da Neo Química Arena, o estádio construído com o empurrão do presidente para a Copa de 2014. O possível pacote de bondade não é a uma torcida qualquer. Trata-se da segunda maior do país: 37,1 milhões. Em meio ao veto às bets, o Corinhians foi justamente o único clube a felicitar o torcedor ilustre pelo triunfo.

Lula abriu as portas do Palácio do Planalto para a caravana do Santos na resolução do impasse em relação ao terreno do Centro de Treinamento Rei Pelé. Recebeu o cartola Marcelo Teixeira e selou o acordo importante para o clube paulista. Afagou mais uma importantíssima torcida.

Bolsonarista, Neymar não compareceu. Nem ele nem o pai. Isso também foi positivo para Lula. Politicamente falando, separou o joio do trigo para uma outra jogada muito bem ensaiada na campanha.

 A ausência do camisa 10 na vinda do Santos a Brasília proporcionou à campanha de Lula a leitura de que recrutar Richarlison para o exército das redes serviria de contraponto não somente a Neymar, cuja imagem está tatuada no corpo do jogador do Tottenham, mas para confrontar o bolsonarismo no caso da Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ). O Pombo foi citado no debate da Globo e Lula provou a Flávio que é possível ganhar o pleito tendo Richarlison — e não Neymar — como aliado.

Horas depois da virada de Lula, Richarlison exibiu a tatuagem do presidente reeleito no mesmo corpo marcado pela homenagem ao ídolo de profissão Neymar. 

Outra manobra relevante de Lula no mundo da bola, talvez a mais decisiva para ele, foi a MP da proibição das bets. Ele fechou a torneira da maior fonte de patrocínio dos clubes, desgastou-se com dirigentes e torcidas, mas a maioria das famílias abraçou a causa considerada antipopular.

Quando Lula parecia ter perdido a mão no W.O. dos clubes a uma reunião convocada para discutir as bets no Ministério do Esporte, ele crescia devagarinho nas pesquisas. Enquanto Lula posava de boleiro, Flávio sinalizava ao presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, a queda da MP das bets em caso de vitória.

Parte dos times aguarda recurso apresentado ao STF aos cuidados do ministro Luiz Fux e se manifesta jogo a jogo do Brasileirão com protesto estampado na camisa e em placas de publicidade: “Proibir não é proteger”. Lula proibiu e protegeu... o mandato!


 

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MP
postado em 31/10/2026 05:00
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