Ao assistir ao especial sobre Renato Russo que a TV Globo exibiu no último domingo, após o "Fantástico", tive o prazer de relembrar o ano de 1985, quando Brasília era considerada a capital do rock brasileiro por ser a cidade onde surgiram as bandas Legião Urbana, Capital Inicial, Plebe Rude, Aborto Elétrico, Detrito Federal e Finies África.
Pude constatar que, entrevistas à parte — entre elas as feitas com a irmã Carmem Teresa; Philippe Seabra, vocalista da Plebe Rude; Flávio Lemos, baterista do Capital Inicial; e rockeiro Paulo César Cascão (ex-Detrito Federal) —, foram utilizadas imagens recuperadas de arquivos. Isso em nada invalida a produção — aliás, bem realizada.
Me lembrei da noite em que tomei conhecimento de Renato Manfredini Jr. Fui à Sala Funarte, num sábado, assistir ao show da cantora paulistana Cida Moreira e fiquei impressionado ao ouvir um jovem cantor que fez duo com ela, interpretando clássicos do blues. Na segunda-feira, escrevi um comentário elogioso sobre o que havia assistido. No dia seguinte, ao chegar à Redação do jornal percebi que, na minha mesa, havia alguns brindes — e um deles era uma camiseta do Aborto, deixados por ele.
Acompanhei a trajetória do líder legionário desde a época do Aborto. Embora sendo aluno do Ceub, participava do Show do Arroto, no Minhocão, na Universidade de Brasília (UnB), logo após o almoço. Assisti a várias apresentações da Legião, inclusive a de 18 de junho de 1998, no antigo Estádio Mané Garrincha, que foi interrompida meia hora depois de iniciada em decorrência da invasão do palco por um fã, o que deu origem a um grande tumulto.
Fiz algumas entrevistas com o líder legionário, algumas aqui na cidade e outras no Rio de Janeiro, em dois locais: no teatro do Hotel Nacional, em São Conrado, antes dos shows de Chuck Berry e Little Richard, os inventores do rock and roll; e no Museu de Arte Moderna. A última foi antes de ele lançar o primeiro álbum solo, intitulado "Stonewall Celebration Concert" — o nome veio do movimento ocorrido no Village, em Nova York, quando gays se insurgiram contra policiais que tentavam invadir bares frequentados por eles.
Boa parte do que conto aqui está registrado em "Minha trilha sonora", livro que lancei em 2015, quando da comemoração dos 40 anos como repórter e colunista do Correio Braziliense.
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