
Um dos vídeos que resgatam as falas do revolucionário educador pernambucano Paulo Freire, uma referência eterna para todos nós, diz assim: "No momento em que me percebo desesperançoso, eu resisto, eu brigo contra mim mesmo, eu analiso a razão de ser da minha desesperança para superá-la". Paulo Freire deixou um legado de muitos ensinamentos, e esse é muito especial para nós, às vésperas de um segundo turno eleitoral do qual o Brasil mais uma vez sairá cindido. Guarde com você: a esperança se constrói, também, nos momentos em que o desânimo parece nos dominar.
Neste domingo nervoso, um Brasil esperançoso tomará as ruas, porque as pessoas estarão firmes e fortes, agarradas com suas crenças. Porque estarão em ação, movimento e luta por suas convicções. Um esquenta fabuloso para reverenciar amanhã Nossa Senhora Aparecida, padroeira amada e inatingível do Brasil, e celebrar o Dia das Crianças, a festa da inocência.
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Resgatando arquivos antigos, foi possível saber que a data especialmente dedicada à infância veio como uma forma de proteger os trabalhadores do futuro. Ou seja, havia e há uma lógica de garantir sobrevivência para fins econômicos. Mas nada é só uma coisa. Brasileiro reinventa sentidos o tempo todo. Proteger as crianças é garantir futuros possíveis, e isso traz esperança. Abraçar Nossa Senhora Aparecida é entender que a fé verdadeira aceita a diversidade, e isso também traz esperança.
Acabamos de sair das urnas e já temos um novo Legislativo, local e nacional. Muitos estados já têm seus governadores. A votação foi legítima. Temos um Congresso mais voltado à extrema-direita. Em princípio, esquerda e direita perderam. Restou um temor real sobre perdas de direitos conquistados a duras penas, entre eles a própria democracia. O saldo das urnas não é apenas um candidato vitorioso, mas o medo de um retrocesso democrático. Uns vibram, outros tremem.
Mais do que nunca, pautas antes pacificadas, como maioridade penal, aborto em caso de estupro, reconhecimento de união homoafetiva, autonomia entre Poderes e tantas outras, estarão novamente na mesa de negociações. Portanto, leve a sério este momento, como se estivesse diante de um aviso de um trem a caminho: "Pare, olhe, escute". Estamos em um cruzamento perigoso.
Temos um segundo turno pela frente e estamos todos muito preocupados, mas podíamos fazer uma tentativa insana e comprometida de nos vestirmos de alegria e esperança, lembrando que nada dura para sempre. E se, de fato, tivermos de aceitar um resultado que não nos satisfaça, vamos ter que engolir raiva, revolta, contrariedade e tristeza, e abraçar de novo a esperança para agir, lutar e resistir, como disse Paulo Freire.
Eu renovo minha esperança quando olho para meus netinhos, Liz e Felipe, e quando vejo a juventude mobilizada, liderando um maravilhoso motim democrático, manifestando seu desejo, seja no grito das ruas, seja nos memes das redes sociais.
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