Num período em que a tensão está no ar, provocada pela acirrada disputa eleitoral no país, há algo que, contrariamente, se caracteriza pela leveza. É a celebração dos 85 anos de Roberto Carlos, um dos maiores ídolos da Música Popular Brasileira.
Acompanho a trajetória do cantor, nascido em Cachoeira do Itapemirim, no Espírito Santo, desde metade da década de 1960, quando ele comandava a Jovem Guarda, tendo a companhia do parceiro Erasmo Carlos e da cantora Wanderléa. Apresentado nas tardes de domingo pela TV Record, o programa era líder de audiência.
Na década de 1970, quando as gravadoras lançavam LPs de artistas das mais diversas vertentes da MPB — do samba ao pop —, entre os mais aguardados e de maior vendagem estavam os de Roberto, que a CBS enviava para as lojas. Tratava-se de um dos presentes de Natal que não podia faltar, geralmente oferecido pelos filhos às mães.
Para divulgar o lançamento, a gravadora convocava jornalistas de várias partes do país para a entrevista coletiva do astro. Participei de todas. Numa delas, deixando de lado o pudor, ele revelou que convivia com TOC — transtorno obsessivo compulsivo.
Convidado pela produção, assisti a shows de Roberto no Canecão (Rio de Janeiro), no Ginásio Ibirapuera (São Paulo), no Gigantinho (Porto Alegre). Mas foi no Ginásio Nilson Nelson, aqui em Brasília, onde mais o ouvi ao vivo. Ali, ao longo de décadas, ele fez concorridas apresentações.
A mais recente ocorreu em 27 de setembro de 2025, no auditório master do Centro de Convenções Ulysses Guimarães Ulysses Guimarães, quando revisitou clássicos de sua obra — entre os quais Além do horizonte, Como é grande o meu amor por você, Detalhes, Emoções, Jesus Cristo e Outra vez. E, claro, distribuiu rosas vermelhas para os admiradores do seu trabalho.
São muitos os locais onde os fãs têm assistido a shows do ídolo. Desde 2005, por exemplo, Roberto comanda o cruzeiro intitulado Emoções em Alto Mar, que veleja pelos mares do Brasil. O próximo, que terá como subtítulo Eu ofereço flores, será de 6 a 9 de dezembro.
Como nas edições anteriores, será realizado durante três dias, a bordo do sofisticado navio MSC Divina, que partirá de Santos, passará pelo Rio de Janeiro e por Angra dos Reis, com direito a show exclusivo de Roberto Carlos. Haverá, ainda, apresentações do humorista cearense Tom Cavalcante e do padre Antônio Maria.
