Artigo

Mais que uma obrigação

Receber a blindagem que vacinas oferecem é um direito de meninos e meninas. Mais do que obrigação, é um ato de amor impedir que doenças coloquem crianças e adolescentes em risco

Leio neste Correio uma reportagem que traz uma boa e uma má notícia sobre a vacinação contra a gripe no Distrito Federal. Desde terça-feira, está liberada a imunização para a população em geral — essa é a boa, claro. Mas vem a má: não alcançamos a meta de vacinar 90% dos grupos prioritários, como crianças de 6 meses a 5 anos, gestantes, puérperas, idosos, povos indígenas, trabalhadores da saúde e pessoas com comorbidades. A imunização nesses públicos ficou em somente 57,3%. Uma temeridade.

A vacinação contra a gripe ocorre todo ano porque, conforme explica o Ministério da Saúde, os vírus sofrem mutações constantes e há vários tipos de influenza pelo mundo. A vigilância global feita pela Organização Mundial da Saúde (OMS), para detectar que tipo de vírus está em circulação, define a composição da vacina a cada ano.

O imunizante reduz casos graves, hospitalizações e mortes. É de fundamental importância, portanto, atender à convocação das autoridades de saúde para se vacinar. A situação que me deixa mais preocupada é a das crianças, que dependem de adultos para receber a proteção. De acordo com o Butantan, meninas e meninos com menos de 5 anos, por exemplo, ficam sujeitos a complicações como pneumonia, otite, sinusite e falta de ar, caso contraiam influenza sem estarem imunizados.   

Receber a blindagem que vacinas oferecem é um direito de meninos e meninas. Está bem claro no Artigo 14, parágrafo 1º, do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA): "É obrigatória a vacinação das crianças nos casos recomendados pelas autoridades sanitárias". E o artigo 227 da Constituição determina que elas têm, entre outros, direito à saúde "com absoluta prioridade".

Garantir esse direito é dever do Estado, da sociedade e da família. O Estado tem feito a parte dele: oferece vacina segura, eficaz e gratuita. Cabe a cada um de nós assumirmos, também, a responsabilidade. Se há crianças e adolescentes em casa ainda não imunizados, leve-os para receber a proteção. Aproveite para também se vacinar e verificar se há doses em atraso de outros tipos de imunizantes. Mais do que obrigação, é um ato de amor impedir que doenças coloquem crianças e adolescentes em risco. 

 

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