Defesa da democracia

PF adia depoimento de Moro no inquérito dos atos antidemocráticos

Investigação sobre a organização e o financiamento de manifestações que queriam o fechamento do STF e do Congresso foi aberto em abril, após pedido da PGR

Sarah Teófilo
postado em 02/10/2020 11:21
Ex-ministro será ouvido na condição de testemunha. Adiamento se deu por questões logísticas e nova data ainda não está agendada -  (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Ex-ministro será ouvido na condição de testemunha. Adiamento se deu por questões logísticas e nova data ainda não está agendada - (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

A Polícia Federal adiou o depoimento do ex-juiz federal e ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro, que seria nesta sexta-feira (02), às 13h, na Superintendência da PF em Curitiba. A oitiva, na condição de testemunha, é no âmbito do inquérito que investiga a organização e o financiamento de atos antidemocráticos.

Segundo a defesa de Moro, a PF entrou em contato na manhã desta sexta-feira informando da necessidade de adiar o depoimento. O motivo informado foram questões técnicas e logísticas. A oitiva ainda não foi reagendada. Moro foi intimado no último dia 18.

O inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) foi aberto em abril deste ano pelo ministro Alexandre de Moraes, após pedido do procurador-geral da República, Augusto Aras. O fato gerador do pedido de Aras foi a manifestação, no dia 19 de abril, Dia do Exército, que contou com a presença do presidente Jair Bolsonaro, em Brasília. Foram vistos cartazes pedindo o fechamento do STF e por um novo Ato Institucional nº 5 (AI-5), considerado determinante para a supressão das liberdades individuais e a consolidação da ditadura militar, baixado em 13 de dezembro de 1968.

Quebra de sigilo

Em junho, Moraes determinou a quebra de sigilo de 10 deputados federais e um senador bolsonaristas, no âmbito do inquérito, a partir de um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). Apoiadores do presidente também foram alvo de busca e apreensão.

Naquele mês, em pedido de cautelares, a PGR ressaltou a relação entre os deputados e as manifestações e observou, ainda, que sites e youtubers bolsonaristas lucraram com a divulgação de conteúdo relativo aos protestos, sendo que transmissões ao vivo com a participação de Bolsonaro são especialmente lucrativas.

Os filhos do presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos), prestaram depoimento recentemente no âmbito do inquérito.

 

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