Negociação

A senadores, Kassio Marques fala sobre Lava-Jato, 2ª instância e meio ambiente

Indicado por Bolsonaro ao STF, o desembargador começou a conversar com senadores para garantir o apoio necessário na sabatina e na votação no Senado

Marina Barbosa
postado em 06/10/2020 15:27 / atualizado em 06/10/2020 15:45
O desembargador agradou aos parlamentares, mesmo os que viam sua indicação com mais receio -  (crédito: Valter Zica/OAB-DF)
O desembargador agradou aos parlamentares, mesmo os que viam sua indicação com mais receio - (crédito: Valter Zica/OAB-DF)

Com a sabatina marcada para o próximo dia 21, o desembargador Kassio Nunes Marques começou a buscar apoio do Senado para ser aprovado à vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). O magistrado começou as conversas nesta terça-feira (6/10), com o intuito de se aproximar dos senadores, apresentar sua formação, dirimir dúvidas sobre a indicação e esclarecer seu entendimento sobre temas polêmicos como Lava-Jato, prisão em segunda instância e preservação ambiental.

Kassio Marques esteve no gabinete do líder do governo no Congresso, senador Eduardo Gomes (MDB-TO), na segunda-feira (5/10) e começou o "corpo a corpo" com os parlamentares logo na manhã desta terça-feira. Ele participou de uma conferência com integrantes e convidados do Bloco Parlamentar Vanguarda, que agrega os senadores de PL, PSC e DEM. O desembargador se colocou à disposição para continuar com as "pré-sabatinas", tanto que já tem conversas marcadas com outros senadores.

"Foi um momento de aproximação, não uma sabatina. Um bom encontro em que ele falou um pouco sobre as suas ideias e origens. Disse que está se preparando para a sabatina e procurando essa aproximação com os senadores que vão sabatiná-lo", contou o líder do bloco da Vanguarda, senador Wellington Fagundes (PL-MT).

Quem participou do encontro, contudo, disse que Marques já foi questionado sobre alguns temas polêmicos. Veja alguns deles:

Apadrinhamento

Na conversa com senadores, Kassio Marques fez questão de destacar sua formação e experiência profissional. Porém, o desembargador não escapou das perguntas sobre a relação com o presidente Jair Bolsonaro, com o PT e com os possíveis padrinhos.

Marques disse que conheceu Bolsonaro há cerca de dois anos, no Congresso Nacional, mas não tem uma relação próxima com o presidente. Admitiu que até ele foi surpreendido com a indicação ao STF, pois havia procurado o presidente recentemente para tentar uma indicação ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Ele também negou vínculos com o PT e com a ex-presidente Dilma Rousseff, que o nomeou no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). O desembargador afirmou que, assim como ocorreu desta vez, foi nomeado pela petista por conta do esforço e do trabalho pessoal.

O desembargador ainda negou ser apadrinhado por nomes como o advogado Frederick Wassef. "A indicação foi exclusiva do presidente Bolsonaro", frisou.

Lava-Jato e prisão em segunda instância

Pelo perfil garantista, Kassio Marques tem preocupado a ala lavajatista do Senado. Por isso, foi questionado sobre o apoio à força-tarefa e à prisão em segunda instância. Acabou respondendo o que esse grupo de parlamentares gostaria de ouvir, segundo fontes que participaram da reunião.

Sobre a prisão em segunda instância, disse que a questão precisa ter "fundamentação" e que "cada caso é um caso". Destacou, por sua vez, que vai seguir o que o Parlamento decidir sobre o assunto. "Ele acabou mostrando o respeito com o Congresso, na relação com o Judiciário. Disse que cada caso é um caso, mas que a decisão é do Congresso e que vai acatar", disse um parlamentar.

Já quando foi questionado sobre a Lava-Jato, Marques não citou diretamente a operação e disse que era preciso ter cuidado com excessos. Porém, assegurou que era inconcebível achar que um brasileiro é contra o combate à corrupção. Concluiu, então, que atuaria no enfrentamento à corrupção, mas com cautela para evitar abusos. 

A conversa ainda entrou na questão da posse e do porte de armas. Marques revelou, então, ter o certificado de colecionador esportivo e armas, no entanto, asseguro que não anda armado.

Meio ambiente

Kassio Marques também foi questionado sobre a questão ambiental, que recentemente entrou na pauta do STF devido ao impacto e à repercussão negativa das queimadas na Amazônia e no Pantanal. Ele mostrou-se interessado em ajudar na questão, mas ressaltou que o debate deve envolver o desenvolvimento econômico da região, os problemas sociais das populações locais e a soberania brasileira sobre a Amazônia — ponto muito defendido por Bolsonaro.

Avaliação

Para os parlamentares que participaram da conversa, Kassio Marques revelou um perfil tranquilo, coerente com sua formação e independente de posições políticas. O desembargador agradou aos parlamentares, até os que viam sua indicação com mais receio. Por isso, mesmo os mais críticos já dizem que o primeiro indicado de Bolsonaro para o STF deve ser aprovado com certa facilidade.

Ainda assim, Marques vai continuar conversando com outros senadores para reforçar o apoio à sua indicação. Membros do Muda Senado, grupo independente que tem questionado o perfil garantista do desembargador, por exemplo, já pensam em solicitar uma audiência com ele. Dizem que a sabatina do próximo dia 21 promete ser dura, tanto por conta dos questionamentos sobre a Lava-Jato e a prisão após segunda instância, quanto por conta de outra dúvida que não foi esclarecida nesta terça-feira: o entendimento de Marques a respeito da possibilidade de reeleição às presidências da Câmara e do Senado.

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