CRISE ECONÔMICA

Maia diz que obstrução da base do governo explodirá o Brasil

Presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) afirmou que, se base do governo não desobstruir pauta da Casa o quanto antes, "Brasil vai explodir em janeiro". Receio é de dólar a U$ 7 e taxa de juros a 20%

Luiz Calcagno
postado em 09/11/2020 20:42
 (crédito: Caroline Antunes/Palácio do Planalto)
(crédito: Caroline Antunes/Palácio do Planalto)

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que, se a base do governo não desobstruir a pauta da Casa o quanto antes, “o brasil vai explodir em janeiro”. O parlamentar falava sobre a disputa pela presidência da Comissão Mista de Orçamento. Defendeu que o plenário da Casa não está parado, e que está pautando as matérias. A falta de quórum é provocada pelos governistas, que querem forçar o DEM, o PSDB e o MDB a desfazer o acordo pela presidência da CMO. “Quem tem interesse na pauta é o governo”, disse.

“Não estão parados por causa disso. O plenário da Câmara está sendo convocado toda semana. Há obstrução da oposição, que quer a votação da Medida Provisória 1000/2020, e da base de governo, por um não cumprimento de acordo. O Brasil vai explodir em janeiro, se as matérias não foram votadas. O dólar vai a R$ 7. A taxa de juros de longo prazo vai subir para um país que vai ter 100% da riqueza em dívida. Imagina, em vez de pagar os 4%, 5%, começar a pagar uma dívida de 15%, 20% ao ano?” avisou Maia.

Maia destacou que se o governo não se posicionar, os brasileiros vão pagar a conta pela movimentação do Centrão. “Quem precisa que a pauta caminhe, primeiro, é o Brasil. Segundo, o governo. O governo será popular ou populistas? Se for uma construção econômica fora de teto de gastos, vai ser populista, como foi o governo anterior, que deu dois anos de recessão. A inflação está fora de controle. Pergunte ao brasileiro como está comprando arroz e feijão no mercado? Quando a gente tenta ser populista, quem paga a conta é o povo”, criticou.

O presidente da Câmara destacou que chamará uma nova sessão plenária para terça-feira da próxima semana. Maia falou à CNN, no início da noite desta segunda-feira (9/11) e pediu que o governo organize o orçamento primário, ressaltando que a situação “é grave”. “Temos orçamento de R$ 1,485 trilhão para o próximo ano. Desses, R$ 1,410 trilhão são despesas correntes que ninguém mexe. E discricionário são R$ 85 bilhões, que é para manutenção da máquina. Isso já passa o teto. Já deveríamos ter sinalizado para a sociedade a verdadeira agenda do governo para enfrentamento da crise que o Brasil terá que enfrentar”, calculou.

O presidente afirmou que os investimentos só virão se o governo mostrar credibilidade nas contas públicas e cuidado com o meio ambiente. “A pauta não está parada por causa da CMO. Já podíamos ter votado o novo programa do governo, de habitação. A MP de habitação está pronta para votar. Mas, a base está obstruindo”, acusou.

“A Câmara tem pautado. Na próxima semana, vou colocar um tema importante que é uma emenda constitucional, para gente já ir olhando o que representou essa eleição nas câmaras de vereadores, e as anteriores, nas assembleias e câmaras, com representação pequena das mulheres. A PEC garante cota de vagas nas câmaras de vereadores, assembleias, e na Câmara dos Deputados. Temos quase 2 mil municípios sem uma mulher representando a câmara municipal. Agora, se a base do governo obstrui, o Brasil vai pagar a conta”, alertou.

Eleições 2022

Maia almoçou com o apresentador Luciano Huck, que negocia aliança com o ex-juiz Sérgio moro para as eleições de 2022. Mas disse que foi um almoço de amigos e que sempre ocorre quando o parlamentar vai ao Rio de Janeiro. Ainda assim, aproveitou o tema para mandar outro aviso a Bolsonaro. “O resultado da agenda (do governo) dos próximos seis meses é que vai ditar a regra das eleições de 2022. Se for responsabilidade fiscal, tem uma força. Se for heterodoxa, uma força muito menor”, projetou.

“O nosso projeto é um projeto que vai ser construído a partir do próximo semestre do próximo ano, e o caminho do governo nos próximos seis meses é que vai ditar o caminho da centro-direita e centro-esquerda no enfrentamento contra a candidatura de eleição do presidente (Bolsonaro)”, acrescentou Maia.

Estados Unidos

Outro tema abordado foram as eleições americanas e a relutância do presidente Jair Bolsonaro de reconhecer a vitória de Joe Biden sobre Donald Trump. Maia pesou as palavras, mas disse esperar que o chefe do Executivo brasileiro parabenize o sucessor da presidência norte-americana. Disse, também, lamentar que Trump esteja questionando o processo eleitoral que o elegeu quatro anos antes. Maia já havia afirmando, anteriormente, que o que ocorre nos EUA poderá servir de espelho para as eleições de 2022.

“O governo brasileiro vai reorganizar sua relação com o presidente eleito. Isso é muito importante. O que estamos acompanhando é muito ruim. A democracia mais importante do mundo ocidental passando por questionamentos. O modelo eleitoral, respeitando as diferenças da pandemia, é o modelo que deu a vitória ao Trump há quatro anos. Como a democracia americana é a mais importante do ocidente, eu espero que o governo brasileiro possa parabenizar o presidente eleito, respeitando as urnas; e estabelecer uma relação com o novo presidente de forma pragmática, que interesse aos dois países, em que as trocas possam ser priorizadas, que foi o que não vimos com Trump”, alfinetou.

Maia acrescentou que a diplomacia brasileira passou por momentos muito ruins com o governo Trump. “Vimos, pela primeira vez, um país mais pobre beneficiar a eleição do país mais rico. A visita do secretário de Estado a Roraima foi ruim. Espero que o presidente possa, respeitando a posição do presidente, parabenizar o presidente eleito e reconstruir nossas relação com o vitorioso das eleições americanas”, avaliou.

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