MEIO AMBIENTE

Bolsonaro volta a criticar decreto que impede turismo em Angra dos Reis

Presidente prometeu, mais uma vez, tentar a revogação do texto no Congresso. Desde o início do mandato, ele tem dito que a região tem potencial para ser uma nova Cancún

Augusto Fernandes
postado em 17/12/2020 13:30 / atualizado em 17/12/2020 13:31
 (crédito: Isac Nobrega/ PR )
(crédito: Isac Nobrega/ PR )

O presidente Jair Bolsonaro voltou a reclamar do decreto que criou a Estação Ecológica de Tamoios, na baía de Ilha Grande, que fica entre Angra dos Reis e Paraty, no litoral sul do Rio de Janeiro, e disse que vai pedir ao Congresso Nacional para que o texto seja revogado a fim de que o turismo possa ser explorado na região.

O decreto criticado por Bolsonaro foi assinado em 1990, durante o governo do ex-presidente José Sarney. A medida que instituiu a Estação Ecológica de Tamoios determinou que 29 ilhas da baía de Ilha Grande, que correspondem a apenas 5% da área total da região, se tornassem áreas de preservação ambiental. A partir do decreto, ficaram proibidas atividades como mergulho, navegação e pesca na estação, que é rica de espécies animais em extinção.

Para Bolsonaro, contudo, o decreto ambiental é um retrocesso. Nesta quinta-feira (17/12), durante a posse do novo ministro do Turismo, Gilson Machado, ele comentou que o texto atrapalha o potencial turístico da região, que está “praticamente inviabilizado” pela medida de Sarney.

“Nós temos uma área que Deus nos deu, chamada baía de Angra dos Reis. Quem passou por lá não esquece. Água límpida, não tem sequer marola. Água quente, muitas praias, mais de 300 ilhas. A gente começa a ver aquela região. Por que nós não desenvolvemos? Porque tem um decreto ambiental. E ele tem que ser revogado para que quase US$ 1 bilhão (sejam investidos), como já conversei com autoridades de fora do Brasil que querem investir na região”, comentou.

Cancún brasileira

Deputados e senadores acompanharam a solenidade, e Bolsonaro fez um apelo aos parlamentares. De acordo com o mandatário, a área pode muito bem se tornar a Cancún brasileira e, por conta disso, o Congresso deveria autorizar o uso da estação ecológica para fins turísticos.

“Nós devemos revogar isso da lei com ajuda do parlamento, se o parlamento assim entender. Isso passa pelo parlamento. Graças a Deus que passa, evita que algum presidente um dia queira fazer algo que não seja normal, ou agrida alguma coisa. Mas independentemente da questão turística, se nós revogarmos isso, transformando essa área de interesse turístico, nós vamos fazer algo muito, mas muito melhor, do que Cancún, a custo zero”, ponderou.

Caso o decreto seja derrubado, Bolsonaro disse que “o pessoal que costuma passar férias fora do Brasil vai preferir ficar na baía de Angra”. “É dinheiro para nós, recursos para nós. Os municípios ali, de Angra dos Reis, Paraty, Mambucaba, Mangaratiba, vão lucrar com isso. O Brasil todo vai lucrar com isso”, acrescentou.

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