Banco do Brasil

Senador protocola convocação de Guedes na CAE do Senado

Ministro da Economia terá que explicar demissão do ex-presidente do Banco do Brasil, André Brandão, em 18 de março. Se os membros do colegiado aprovarem o requerimento como está, será o segundo ministro do governo, em pouco tempo, a ser convocado pelo parlamento para prestar esclarecimentos

Luiz Calcagno
postado em 05/04/2021 18:31 / atualizado em 05/04/2021 18:40
 (crédito:  Ministério da Economia)
(crédito: Ministério da Economia)

As denúncias de ingerência no Banco do Brasil poderão gerar desgaste do governo no parlamento. O líder da minoria no Senado, senador Jean Paul Prates (PT-RN), protocolou um requerimento para que o parlamento convoque o ministro da Economia, Paulo Guedes, para prestar esclarecimentos sobre o assunto na Comissão de Assuntos Econômicos da Casa. Se aprovado, Guedes será o segundo chefe de pasta convocado no parlamento. Em 31 de março, a Comissão de Fiscalização e Controle Financeiro da Câmara intimou o novo ministro da Defesa, o general Walter Braga Neto.

A convocação, feita nesta segunda-feira (5/4), tem o intuito de fazer com que Guedes comente a polêmica em torno do pedido de exoneração do agora ex-presidente do Banco do Brasil, André Brandão, em 18 de março. O pedido de demissão provocou outras duas saídas, dos conselheiros Hélio Lima Magalhães e José Guimarães Monforte. O líder da minoria afirmou que os movimentos produziram incertezas sobre a administração da instituição bancária e, por isso, precisa ser compreendida a fundo.

“Notícias recentes dão conta de sinais preocupantes que produzem incertezas e inseguranças sobre a administração do Banco do Brasil, uma das instituições financeiras mais importantes do país, patrimônio público, e símbolo da democratização da bancarização do país”, afirmou o líder. Em casos como esse, normalmente, o parlamento converte a convocação em convite, dando a oportunidade para que o ministro recuse comparecer, direito que perderá caso o requerimento seja aprovado como está.

Além da convocação de Guedes, Prates também convidou o ex-presidente do Banco do Brasil, André Brandão, e os ex-conselheiros Hélio Lima Magalhães e José Guimarães Monforte. Para o parlamentar, “é necessário reestabelecer a tranquilidade do setor municiando a opinião pública com informações sobre quais seriam tais ‘tentativas de desrespeito governança corporativa’”. Ele destacou que as turbulências “prejudicam a confiabilidade da empresa e afetam seu valor de mercado e sua governança”.

“Igualmente, é preciso esclarecer o contexto nebuloso da indicação de nome desqualificado por seus pares para o exercício da função de chefia de uma das empresas públicas mais importantes do país”, destacou.

Picanha e Heineken para militares

No caso da convocação de Braga Neto, o requerimento já foi aprovado e é de autoria do deputado Elias Vas (PSB-GO). O ministro da defesa terá que explicar compras feitas pelo Exército de produtos como picanha, cerveja, bacalhau, filé e salmão, além de cervejas de marcas variadas, a preços supostamente acima dos operados pelo mercado. A aquisição ocorreu no ano passado. “Considerando Exército e Marinha, os pregões já homologados somam 80.016 latas e garrafas de cerveja. E não qualquer uma. A lista inclui marcas como Heineken, Stella Artois e Eisenbahn, além de Bohemia, Antarctica, Skol Beats e Puro Malte”, explicou o parlamentar na justificativa do requerimento.

A convocação aconteceu no meio da crise provocada por Bolsonaro com a troca dos comandos das Forças Armadas e do próprio ministro. Ainda de acordo com o requerimento, chama a atenção, além do cardápio variado, a qualidade dos produtos exigidos. “O caso que mais chamou a atenção é o da latinha da Bohemia Puro Malte. O valor unitário que consta no processo já homologado é R$ 4,33, e o preço para o consumidor comum, em uma busca rápida por supermercados, é R$ 2,59, diferença de 67%”, destacou.

“Já a garrafa de Bohemia de 600 ml é orçada em R$ 7,29 enquanto é possível encontrar no varejo o valor de R$ 5,79, sobrepreço de 25,9%. Outro exemplo é a lata de Skol Puro Malte, com valor no processo de R$ 4 e no varejo a R$ 2,49, indicando superfaturamento de 48,6%. O governo também está comprando Stella Artois de 550 ml por R$ 9,05, mais caro que os R$ 6,99 do supermercado. A diferença é de 29,4%. Foram identificados também processos para compra de 1.375.041 quilos de carvão vegetal para as Forças Armadas e 714,7 mil quilos de picanha para os Comandos do Exército, da Marinha, da Aeronáutica, para a Indústria de Material Bélico do Brasil (Imbel) e para o Departamento de Administração Interna do Ministério da Defesa”, continua o texto.

No caso da picanha, a Defesa pediu, somente para a Marinha Brasileira 13,6 mil quilos a R$ 84,14 cada 1kg, “por meio do Pregão Eletrônico n° 37/2019, concluído em 29 de janeiro de 2020”.

https://blogs.correiobraziliense.com.br/denise/braga-netto-convocado-para-prestar-esclarecimentos/

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