CASO COVAXIN

Queiroga se irrita com pergunta sobre Covaxin e abandona entrevista

Ministro da Saúde se irritou quando um jornalista questionou se o governo federal compraria o imunizante mesmo com um preço mais alto do que o das outras vacinas contra covid-19

Maria Eduarda Cardim
postado em 23/06/2021 13:32 / atualizado em 23/06/2021 17:02
 (crédito: Jefferson Rudy)
(crédito: Jefferson Rudy)

Em meio a uma investigação do contrato de R$ 1,6 bilhão do governo federal com a farmacêutica indiana Bharat Biotech, representada no Brasil pela Precisa Medicamentos, para aquisição de 20 milhões de doses da Covaxin, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, se irritou nesta quarta-feira (23/6) ao ser questionado sobre a compra da vacina indiana e abandonou entrevista concedida aos jornalistas após a cerimônia de Abertura do Fórum Sobre Proteção Integrada de Fronteiras e Divisas.

Ao ser questionado sobre a compra do imunizante, Queiroga disse que o governo ainda não comprou “nenhuma dose” da vacina. “Todas as vacinas que têm registro definitivo da Anvisa ou emergencial, o ministério considera para aquisições. Então, esperamos este tipo de posicionamento para tomar uma posição acerca não só dessa vacina, mas de qualquer outra vacina que obtenha registro emergencial ou definitivo da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) porque já temos hoje um número de doses de vacina contratadas acima de 630 milhões", complementou Queiroga ao falar sobre a possibilidade de compra do imunizante.

No entanto, apesar de ter dito que não comprou a vacina indiana, o Ministério da Saúde assinou um contrato para a compra de 20 milhões de doses da Covaxin junto à Precisa Medicamentos/Bharat Biotech em 25 de fevereiro. O governo federal, no entanto, ainda não realizou o pagamento pelas doses contratadas. 

O ministro se irritou quando um jornalista questionou se o governo federal compraria o imunizante mesmo com um preço mais alto do que o das outras vacinas. No contrato firmado com a Bharat Biotech, cada dose da Covaxin foi comprada pelo governo por US$ 15, valor mais elevado do que a da Pfizer, por exemplo, que custou US$ 12. 

"Eu falei em que idioma? Eu falei em português. Então, não foi comprado uma dose sequer da vacina Covaxin nem da Suptinik", respondeu Queiroga.

Os jornalistas explicaram que a pergunta feita se referiu a uma intenção futura da pasta quanto à vacina, mas o ministro só disse que “futuro é futuro” e se afastou dos jornalistas sem responder outros questionamentos.

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