POSSE NO PLANALTO

Bolsonaro sobre posse de Ciro: "Queremos aprofundar relação com o parlamento"

Mandatário sinalizou ainda que o governo tem "convivência extremamente pacífica" com o parlamento, salvo alguns "senões"

Ingrid Soares
postado em 04/08/2021 17:47 / atualizado em 04/08/2021 18:40
 (crédito: Reprodução/Twitter)
(crédito: Reprodução/Twitter)

Durante solenidade de posse do novo ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP-PI), nesta quarta-feira (4/8), o presidente Jair Bolsonaro afirmou que sua chegada demonstra que o governo federal "deseja cada vez mais aprofundar relações com o parlamento". 

"Ciro, te conheci em 95, iniciando meu segundo mandato de deputado federal. A carreira militar nos ensina que a decisão são para os fortes. A omissão é para os fracos. E até mesmo diz a história que pior que uma decisão mal tomada é uma indecisão. O Ciro disse bem, ele poderia optar pelo conforto. A vida de parlamentar tem sua dificuldade, mas, obviamente, os problemas lá são pulverizados. Aqui cai tudo no colo exatamente da mesma pessoa. Chova ou faça sol", apontou.

O mandatário sinalizou ainda que o governo tem "convivência extremamente pacífica" com o parlamento, salvo alguns "senões".

"A chegada do Ciro é uma demonstração por parte do governo que nós queremos cada vez mais, aprofundar a relação com o parlamento. Não é a primeira vez que eu digo que Executivo e Legislativo é, na verdade, um só poder. Quase tudo que, porventura, nós venhamos a decidir por aqui, passa pelo parlamento e o parlamento também, muitos projetos que nascem lá dependem do governo para a sua implementação. E temos hoje uma convivência extremamente pacífica, salvo alguns senões. Faz parte da política. Lamentamos esse momento triste que, infelizmente, não tem como ser resolvido a curtíssimo prazo, mas, brevemente, tudo estará resolvido. Quanto melhor nós, Executivo e Legislativo nos entendermos melhor é para 210 milhões de pessoas.", apontou.

O chefe do Executivo também agradeceu Ciro, Ramos e Onyx Lorenzoni. "Ciro, muito obrigado por ter aceitado esse convite. Tenha certeza que o Brasil como um todo vai ganhar com a sua presença aqui bem nos articulando com o parlamento brasileiro. Ramos, muito obrigada pelo que você já fez até agora ao meu lado. Você sempre ao lado de Onyx são duas pessoas que não titubearam quando uma missão foi paga para vocês".

Por fim, após ter elogiado o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha e o governador do Goiás, Ronaldo Caiado, Bolsonaro citou Davi Alcolumbre (DEM-AP), ex-presidente do Senado e presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa. Ele comentou que o demista está "cada vez menos forte", o que pode ser entendido tanto como um elogio por perda de peso ou ser encarado como uma alfinetada. 

“Agradeço a presença de Alcolumbre, cada vez menos forte, ainda bem, mas nos ajudou muito nos dois anos de mandato nosso”.

O evento ocorreu no Palácio do Planalto com a presença de vários políticos, como o vice-presidente Hamilton Mourão, o ex-ministro da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos, a ministra da Secretaria do Governo, Flávia Arruda, os presidentes da Câmara e do Senado, Arthur Lira e Rodrigo Pacheco, respectivamente, o general Augusto Heleno, o ministro da Economia, Paulo Guedes, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e a primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

Proximidade com o Centrão

Ciro aceitou o convite do mandatário no último dia 27. O anúncio foi feito por meio das redes sociais, após reunião com o mandatário no Palácio do Planalto. Ainda segundo o presidente, a presença do senador Ciro Nogueira na Casa Civil poderá melhorar a articulação com o Congresso.

Bolsonaro tem usado um amplo repertório de desculpas para justificar a maior proximidade com o Centrão. Ele disse também que, caso não obtenha o apoio, não conseguirá aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que pretende enviar ao Congresso para reajuste do Bolsa Família. No último dia 23, em aceno ao próprio eleitorado, o presidente justificou que a aproximação com o bloco é necessária por conta da "governabilidade". Ele destacou ainda ser "obrigado" a formar a coalizão e que, "com apenas 150 deputados, não iria a lugar nenhum".

 

 

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