ELEIÇÕES

Sem provas, Bolsonaro diz que hackers tiraram 12 milhões de votos dele

Presidente afirmou que a oposição teria contratado criminosos digitais para acessar indevidamente os sistemas do Tribunal Superior Eleitoral nos meses que antecederam as eleições de 2018. "Essas histórias vão continuar rodando por aí", disse

Augusto Fernandes
postado em 12/08/2021 20:25 / atualizado em 12/08/2021 23:01
 (crédito: Reprodução/Redes Sociais)
(crédito: Reprodução/Redes Sociais)

O presidente Jair Bolsonaro disse, na noite desta quinta-feira (12/8), que uma suposta invasão criminosa aos sistemas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2018 teria sido financiada por partidos de esquerda. Segundo o chefe do Planalto, os hackers teriam acessado documentos confidenciais da Corte, fraudaram as urnas eletrônicas e retiraram 12 milhões de votos do chefe do Executivo.

Bolsonaro, no entanto, disse não ter provas de tal acusação. “A história ou estória que chega para a gente, era que o acordo com esses hackers seria de desviar 12 milhões de votos do candidato Bolsonaro. Não tenho provas e não sei se é verdade. É história que estamos apurando. Mas esses 12 milhões de votos não foram suficientes para o outro lado vencer”, disse o presidente, durante a sua live semanal.

De acordo com ele, como o desvio dos votos não funcionou para que Fernando Haddad (PT) o derrotasse no segundo turno. A oposição, então, teria promovido um calote com os hackers. Dessa forma, segundo Bolsonaro, o grupo criminoso teria decidido revelar ao portal de notícias Tecmundo, ainda em 2018, como invadiram os sistemas do TSE.

“O que poderia ter acontecido, não tenho provas e não sei se é verdade, é que como o trabalho dos hackers contratado para tirar 12 milhões de votos não foi suficiente, os hackers teriam levado calote de quem os contratou para sumir com 12 milhões de votos. Levaram calote e resolveram denunciar e resolveram melar o jogo. A gente sabe que o outro lado é especialista em dar calote nos outros. Essas historias vão continuar rodando por aí”, disse o presidente da República.

Documentos sigilosos

A manifestação de Bolsonaro aconteceu horas após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizar a abertura de um inquérito contra o presidente por ele ter publicado nas redes sociais documentos sigilosos que integram uma investigação em andamento na Polícia Federal sobre essa suposta invasão de hackers ao TSE.

Na semana passada, durante uma entrevista à Rádio Jovem Pan, Bolsonaro e o deputado Filipe Barros (PSL-PR) deram informações sobre o inquérito e depois publicaram o documento nos seus perfis pessoais na internet. De acordo com os dois, os sistemas digitais do TSE teriam sido alvo de invasão entre abril e novembro de 2018. Bolsonaro e Barros garantiram que, nesse período, o hacker teve acesso ao código-fonte das urnas eletrônicas, apesar de a investigação policial ainda não ter constatado isso.

O presidente criticou Moraes pela abertura do inquérito e disse que o fato de a investigação referente à invasão ao TSE ainda não ter sido concluída é “um crime contra a democracia”. “Não querem apuração (do caso). Querem intimidar quem? A Justiça é para todos. Todo mundo no Brasil, grande parte dos brasileiros, querem a certeza de quem votar o voto vai para lá”, ponderou.

“O que está acontecendo? Ainda querem nos calar, me colocar em inquérito? Um inquérito que interessa para todos nós. Se interessa para todos nós, tem que ser público. Ia ficar escondido até quando esse inquérito lá dentro?”, acrescentou o presidente.

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